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Will Eisner, ou melhor, Bill Eisner como o quadrinista é chamado na primeira parte da biografia, Will Eisner – Um Sonhador nos Quadrinhos publicada pela Globo Livros, através do selo Biblioteca Azul, veio de uma humilde família judia, que escolhera o bairro do Brooklyn em Nova York, para firmar residência. Nascido em 1917 e criado nos anos difíceis que precederam a Crise de 1929, sua infância também seria marcada pela falta de simpatia pela religião seguida. Will desde cedo foi chamado para as responsabilidades e os compromissos da vida adulta. Aos 13 anos ajudava seu pai Shmuel na pintura de igrejas e teatros iídiches e antes disso, já demonstrava talento para a arte. Quando cursava o ensino médio no Instituto DeWitt Clinton, Will colaborava na revista da escola com Bob Kane (que curiosamente viria a ser um dos co-criadores do Batman).Will Eisner - Um sonhador nos quadrinhos - capa

Aos 19 anos Eisner criou várias histórias para a revista WOW What a Magazine! do editor e desenhista Jerry Iger, porém sem muita saída à revista veio por encerrar suas atividades. Em 1937 Eisner firmava sociedade com Jerry para a criação do estúdio Eisner-Iger Studio que buscava desenvolver conteúdo para jornais e periódicos da época. Jack Kirby, criador ao lado de Stan Lee do Homem de Ferro, X-men, Hulk dentre outros e o já citado Bob Kane trabalharam para a sociedade.

The Spirit

A série The Spirit, que é considerada um dos quadrinhos mais importantes do gênero é bastante detalhada no livro, onde encontramos como era todo o processo de criação, o desenvolvimento e como aconteceu quando Will teve de servir o exército na Segunda Guerra Mundial. O personagem foi criado logo após a dissolução da sociedade com Jerry Iger. Uma anedota curiosa sobre Eisner detalhada na biografia, foi como ele desdenhou a história de um certo alienígena com super-poderes que foi enviado para a Terra, logo após a destruição do seu planeta de origem, ou seja, Will Eisner recusava o conceito original do Superman, sem jamais imaginar o sucesso editorial que seria o personagem na primeira edição da Action Comics. Tempos depois isso ainda renderia um processo. 

“Eu queria pegar meu leitor pelo colarinho, queria fazê-lo pensar e chorar com o que eu dizia.”

A edição como um todo é um destaque a parte. A editora fez um excelente trabalho em trazer ao público uma edição com acabamento de luxo em capa dura, que contém inúmeras fotos que vão permeando a leitura. O trabalho de design gráfico do estúdio Laboratório Secreto é um deleite aos olhos e um adorno em qualquer estante e a tradução do veterano Érico Assis, só agregou propriedade ao texto.

A narrativa é agradável e focada na trajetória, nas escolhas e na sua evolução como artista. Sem atentar com por menores, o biógrafo Michael Schumacher que já escreveu sobre a vida do guitarrista e compositor Eric Clapton e do diretor Francis Ford Coppola, se dedicou a apresentar também o lado empreendedor e visionário de Will, óbvio sem deixar de relatar o lado humano do mesmo. A biografia foi escrita póstuma com dedicada pesquisa aos arquivos pessoais do quadrinista e endossada com entrevistas a parentes, amigos próximos e principalmente com a viúva Ann Eisner.

Sempre retratado como uma pessoa de bom caráter e mesmo vivendo e trabalhando em um meio conturbado (mas em crescente ascensão), foi curioso notar seu descontentamento por não ter recebido o Pulitzer pelo seu trabalho mais pessoal em No Coração da Tempestade (que perdera para Maus de Art Spielgeman). Durante a leitura é interessante observar o quanto suas experiências, sonhos e decepções foram imortalizadas em seus trabalhos. Sempre com ênfase no cenário, diversos encontros e situações da sua vida e do seu cotidiano estão retratados em O Sonhador, Nova York – A Vida na Grande Cidade e Um Contrato com Deus. Outro grande ponto na biografia foi o trabalho do biógrafo em pontuar o que é ficção e o que autobiográfico na obra de Eisner.

“Trago comigo, trancado nos porões da mente, um fardo de memórias – algumas doloridas, outras felizes. Assim como os marinheiros do passado, preciso compartilhar as coisas pelas quais passei e que vi. Se quiser, pode me entender como uma testemunha gráfica que conta a vida, a morte, os desgostos e a incessante luta para vencer – ou pelo menos para sobreviver.”

eisner

A história de Will Eisner segue paralelamente à própria história da indústria dos quadrinhos. Ele falecera em 2005, mas sua importância e relevância para a nona arte é notória. O termo graphic novel e a técnica intitulada arte sequencial são atribuídos a ele. Em 1988, foi criado o Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos, que já premiou grandes como Neil Gaiman, Alex Ross, Frank Miller, Alan Moore e muitos outros. Ao final da leitura, percebe-se que em vida Will Eisner sempre foi um eterno sonhador.


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Leandro de Matos

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