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Muito há de se considerar durante o desenvolvimento de um livro, uma história, uma trama, enredo, personagens e tudo que vai no pacote “meu livro”. Todavia, muita gente não se dá sequer ao trabalho de desenvolver uma boa ótima pesquisa sobre o material que quer desenvolver.
Mas, vamos partir do princípio.

Irei pontuar aqui algumas de minhas experiências e esperar que talvez sejam úteis para os interessados.

Lembro-me que quando me veio a vontade, e a defini como “vou enfim escrever minhas ideias e transformá-las em um livro”, logo me questionei no: como fazer.

Queria começar a escrever de imediato, imaginei que seria fácil, a julgar pelos 9 anos trabalhando com teatro entre atuações, direções, desenvolvimento de roteiros, adaptando obras literárias para os palcos, e até lecionando em curso de formação de atores (matéria: Gestão Empreendedora em Arte e Cultura – farei um artigo desse num futuro próximo voltado para o mercado editorial).

Enfim, acreditei que minha experiência poderia suprir algumas necessidades do oficio de escritor. Eu não estava errado.

Sim, supriram! Mas, no início ainda vi que me faltava muito para ter um mínimo de especialização sobre o assunto em si, para tanto, juntamente com um grande amigo que tinha o mesmo objetivo, fui à procura do que houvesse à nossa disposição, todavia com a falta brasileira de um curso universitário de formação de escritores tivemos que apelar para outras fontes, tal como citado no post Vida de Autor | Parte do que é ser um Escritor.

Durante e depois desse processo, dessa fase de aprendizagem de métodos, formas e descobrimento de como não fazer merda, enfim fizemos a PESQUISA.

Considerar o nível intelectual possível de seu público-alvo, independente do gênero que deseja abranger, é primordial que seja trabalhado uma pesquisa de qualidade e abrangência impar.

Isso é respeito com o leitor.

Como fazer, portanto:

Entendendo como se faz um livro de qualidade;

Unindo às teorias de grandes autores e professores universitários de outros países do curso de formação de escritores;

Juntando com o conhecimento teatral e teorias de Boal, entre outros;

Chegasse à verossimilhança e à conclusão que ela é essencial para que o texto seja de qualidade, mesmo sendo ele um romance de fantasia ou ficção, ou fazendo parte de uma utopia ou distopia, a realidade dentro de sua mitologia deve parecer plausível aos olhos do leitor.

Partindo, portanto, da premissa de se manter a excelência e um alto grau de verossimilhança à trama, enredo, personagens, fatos históricos, unidades, locais, objetos, etc., a pesquisa se tornou um fragmento preliminar à escrita um tanto indispensável.

Antes, vamos então entender verossimilhança:

Em linguagem corrente, ao atributo daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidade portadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade, na relação ambígua que se estabelece entre imagem e ideia.
Em literatura, o termo designa a ideia de que aquilo que é narrado se assemelha à realidade. No teatro, tem a ver com a clássica Regra das Três Unidades (séc. XVII). Verossimilhança no geral é aquilo que possui semelhança com a nossa realidade, com o nosso dia a dia.
Verossimilhança é a impressão da verdade que a ficção consegue provocar no leitor. Alguns filmes, novelas, livros são exemplos de verossimilhança, pois apresentam os fatos semelhantes ao que acontecem na realidade vivida.

Qualidade do que é verossímil. Semelhante à verdade. Que tem a aparência de verdade. Que não repugna à verdade; provável.

Portanto, se entende como verossimilhança na literatura o fato ou fragmento da realidade que se utiliza no texto de tal forma que o leitor entenda e compreenda que a ficção, fantasia, ou qualquer outro gênero, são possíveis de serem reais.

No exemplo, um escritor não diz que “eles entraram no voou às 21h no Brasil”, e em seguida ele não coloca: “à meia-noite, em Madri na Espanha, eles foram assassinados no aeroporto”.

Pô! PESQUISA! Um voo comercial do Brasil à Madri dura no mínimo 8 horas.
Entenderam?

Não seja medíocre!
Você faz o seu melhor nas condições que tem, mas apenas até ter condições melhores para fazer melhor ainda!

Da mesma forma, o escritor que descrever um local, e quer que sua obra tenha mais valor, claramente ele irá pesquisar o local antes de descrevê-lo no livro.

Está ai Dan Brown que não me deixa mentir! Seus livros são verdadeiros mapas, vejam no O Código DaVinci, onde o Museu do Louvre é palco de várias passagem, e mesmo quando o autor cita “ele correu fugindo desesperadamente, escorregou, mas conseguiu virar à esquerda antes que a grade de segurança abaixasse. Lá ele morreu!”. Na sequência, o livro tranca a personagens nesse recinto, e o mesmo, antes de morrer, deixa pistas para Langton e sua afilhada iniciarem sua jornada de busca e descobrimentos.

Pois bem, essas pitas estavam em obras especificas e locais específicos. Se alguém for ao Louvre verá as obras que foram usadas nas pistas na mesma ala que Brown descreveu como o local da morte da personagem no início da história.

Verossimilhança a um grau mais alto, e muito possível de executar.

Em outro exemplo, Eduardo Spohr coloca sua experiência de viagens pelo mundo com seu pai durante sua infância e adolescência, e utiliza locais que visitou e conheceu mais intimamente em seu primeiro livro, e best-seller, A Batalha do Apocalipse.

Se você for até Jerusalém e perambular por onde o livro descreve algumas cenas, será capaz de seguir os passos das personagens que por ali caminharam, e fará isso sem dar de cara com um beco sem saída ou uma rua inexistente.

Já em meu caso, no livro O Mestre Mantenedor de Mundos, utilizo a verossimilhança ao extremo. Todavia, não de uma forma prolixa. Escrevo ficção, fantasia, todavia sou adepto de um gênero denominado como Realismo Fantástico, do qual se resume em utilizar a realidade como a conhecemos de tal forma a fazer a ficção chegar a níveis de condução do leitor ao questionamento “mas, parece até possível”, “mas, e não é assim mesmo?”.

Nesses três exemplos pode ser percebido que a pesquisa foi primordial para qualquer efeito, seja ela feita de uma forma ou de outra.

Ainda assim outros parâmetros poderiam ser pontuados nesse post, todavia mediante as inúmeras facetas a abordar que envolvem uma obra e necessitam de atenção para ter sua verossimilhança efetiva, levaríamos todo o tempo do mundo e ainda faltariam coisas.

O que se deve entender é o conceito e objetivo. Capitem a ideia.

Entretanto, outro fator relevante de destaque e que ainda não  foi comentado se refere a parte onde o escritor pesquisa sobre suas personagens, o que deve ser feito para que se obtenha ícones marcantes e cativantes.

Complexos, desejos, personalidades, paixões, forma física, estado psíquico, aflições, tudo precisa ser previamente pensado.

Pois, quem não gosta ou ao menos simpatiza com personagens marcantes? Heróis, anti-heróis, secundários ou coadjuvantes, personagens que servem apenas para morrer, entre outros. Todos têm sua função e cada um exterioriza na história aquilo que a trama e o enredo necessitam.

Há histórias que por melhores que sejam, por mais inovadoras as tramas, por mais original o enredo, se não tiver um personagem cativante, algo ficará faltando.

Personagens vazios e de baixo impacto costumam deixar as histórias desanimadas, às vezes são até fatores que ajudam ao leitor a largar o livro.

Vejam no exemplo:

Quem não se impressiona até hoje com o enredo e história do filme Psicose e da morte que a personagem, até então, principal tem no primeiro ato da história?

Ou quem não gosta, homem ou mulher, do herói mutante Wolverine?

Ou do vigilante Batman? Ou até mesmo do vilão psicopata Coringa.
A história de Saint-Exupéry seria a mesma se o Pequeno Príncipe fosse diferente, tivesse outra personalidade?

Em Piratas do Caribe, quem rouba a cena é o anti-herói Jack Sparrow. Tamanha foi sua fama no primeiro filme da série, que depois da trilogia inicial, ele ganhou um filme solo, e em 2015 estreia o próximo Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales – ou em uma tradução literal: Piratas do Caribe: Homens Mortos Não Contam Contos/Histórias.

Personagens são essenciais para que o leitor seja cativado a entrar na história e não queria sair mais.

PESQUISA, portanto, não se resume a uma mera palavra colocada em um roteiro de afazeres durante a criação de um livro, mas uma parte essencial do desenvolvimento geral de tudo que envolve o projeto.

Faça bem feito, e terá um resultado no mínimo muito satisfatório tanto para você quanto para seu público!

Darth Vader Nonsense
Se você não pesquisa, pode chegar a escritos sem sentido. No exemplo acima, “sentido” é uma coisa que não existe!  😉

Utilize o Google, Google Maps, Google Earth, a biblioteca municipal, biblioteca particular, mapas, antigos pergaminhos, fotos, documentários, experiências de viagens, pergunte a professores, entreviste pessoas, sente-se no banco de uma praça qualquer e observe as pessoas, vá ao zoológico, use o que aprendeu na escolar, na faculdade, na vida.

Utilize o que estiver em seu alcance, mas dê seu jeito de ampliar seu nível de conhecimento sobre o que quer escrever.

Utilize o senso critico que conquistou com seus anos de leitura e pergunte o “por quê” (arremete ao passado) e o “para quê” (arremete ao futuro) de tudo.

Pense com clareza e poderá atingir os seus objetivos de forma excepcional.

 Para poder chamar um livro de obra, deve-se dar o devido respeito ao tal e fazê-lo merecer o título de Obra. Talvez um dia desses um livro seu se torne uma Obra-Prima no valor secundário da palavra, tudo fruto de seus trabalhos, esforços e criatividade!


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