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Antagonista: o que se opõe!

Essa seria uma ótima conclusão para o que resume um antagonista.

Do grego: ἀνταγωνιστής, ou antagonistes, o que viria a significar: rival, oponente, competidor, aquele ou aquilo que dificulta.

Puxando a sardinha para nosso lado, duas perguntinhas:

1. Na literatura o antagonista seria exatamente o oposto do protagonista! Correto?

Resposta: Sim, seria.

2. Ele, portanto, seria o vilão, o malzão. O que só quer destruir, atrapalhar e fazer mal, correto?

Resposta: NÃO.

Explico:

Um antagonista tanto na literatura quanto no cinema, artes, teatro, música, e até em medicamentos, é aquele que representa o contrário do que a personagem principal se dedica e propõe a fazer, seja em uma história, romance, peça teatral, música, ou receita farmacológica.

Ele dá o equilíbrio, o balanço exato.

Ainda, o antagonista não se resume apenas a uma pessoa, mas também pode ser definido por um grupo de pessoas, ou uma instituição, e até mesmo por um lugar. Ou seja, se torna aquilo que se opõe ao que ao objetivo do protagonista.

 

LOCAIS

Há enredos e tramas que se passam em locais tão hostis que não é necessário encarnar um personagem para que o mal aconteça ao(s) protagonista(s).

Veja no exemplo da ilha do seriado LOST de J. J. Abrams. No inicio, a ilha por si só já era o suficiente para ser o vilão da história.

 

GRUPO | INSTITUIÇÃO

Já em outros momentos o protagonista vê-se diante de conspirações, corrupção ideológica, politicagem internacional, interesses capitalistas, batalhas intergalácticas por dominação, entre muitos outros tipos de conflitos. Estes dos quais são frutos de um fator antagônico que pode se definir pelo interesse e ação de um grupo e não de um personagem em específico.

Nesses casos, quando um personagem desse grupo deixa de existir, o perigo, a oposição ao enredo ainda continua.

 

PERSONAGENS

Mas, vamos ao que a maioria dos escritores se interessa mais: ao antagonista encarnado, seja lá a forma que ele tenha!

Um antagonista tem várias características e facetas, e pode seguir inúmeras vertentes, e cada um tem sua ideia de certo e/ou errado.

Alguns têm a ilusão de fazerem o melhor, o bem. Mas, é analisando o tipo de sentimento que esta envolvido na causa de cada objetivo que se consegue ter uma visão primaria da situação geral que se encontra o “vilão”.

Vejamos. Se o egoísmo, a ganância, ou outra paixão desse tipo estiver envolvido no objetivo final do personagem, logo esse sentimento se define por ser a causa, e o “mal” feito pelo antagonista seria o efeito. Simples lei de causa e efeito.

Claro que há também muitos outros tipos e classificações.

 

Gostaria de tomar aqui os psicóticos como alvos de estudo: tal como o Coringa da nova trilogia Batman.

Coringa
Coringa

Apesar dele ser um louco maníaco, ele é um louco com motivos até muito interessantes e úteis se conseguirmos eliminar o olhar hipócrita que temos da sociedade em que vivemos.

No filme The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas) ele apenas queria abrir os olhos dos gananciosos da cidade e desregular a economia de Gothan. Seu objetivo era quetodos tomassem um tapa na cara e vissem onde estavam se enfiando. Claro que o Coringa é muito mais complexo que isso, há também o fato dele não querer matar o Batman. Sim, isso mesmo. O Coringa não quer matar o Batman, mas sim DERROTÁ-LO ou até destruí-lo (por dentro). Joguetes e decisões de vida ou morte são exemplos disso no filme e no HQ.

Todavia ele ainda tem um elemento a mais, o Coringa é um agente do caos, sendo assim não precisa de motivos para fazer o que faz!

Nesse exemplo pode-se perceber a magnitude e tamanho que o antagonista tem mediante ao protagonista. Há de se ser proporcional. O Batman foi moldado de uma forma a ser gigantesco em significado, inteligência, astucia e simbologia. Da mesma forma os autores não poderiam colocar em seu caminho um antagonista medíocre, e isso não foi feito!

. . .   . . .   . . .

Partindo para outra visão, há de se questionar se existem arquétipos a serem usados na construção de um antagonista.

Acredito que há sim arquétipos na psicologia que possam, e são, usados na formação psicológica do personagem que carrega esse fardo numa trama.

Aliás, acredito que possam ser usados quaisquer arquétipos, haja vista que para ter-se um opositor às ações do protagonista, não é necessariamente uma regra que o antagonista seja mal!

Isso mesmo. Nem todo antagonista é mal, mas de certa forma é o vilão.

 

Dexter
Dexter

Veja na série de TV Dexter. Apesar da justificativa dele ser um serial-killer de serial-killers, ele não deixa de ser um assassino em série. Mata não para livrar a sociedade de serial-killers, mas para saciar seu próprio vício de assassínios.

Portanto, na história ele é o personagem principal. Sim é!

Na história ele é o protagonista. Sim é!

Na história ele é bom. Não, não é.

Por que não?

Por que a sociedade e leis que a regem condena o ato de assassinar pessoas, seja lá que tipo de pessoa seja essa. Isso então se resume a coisas de pessoas más, vilões.

Quem é o antagonista no seriado?

Esse seria o papel da polícia, ou qualquer pessoa de bem que ameace descobrir sobre seus atos.

Portanto, em Dexter, a polícia seria o antagonista!
Bazinga

 

ANTI-HERÓIS

Anti-Herói
Anti-Heróis

Ainda em outro exemplo, imaginem um anti-herói.

Geralmente ele é um tipo de personagem que pratica a “justiça” de sua própria forma, segundo sua ideia de certo ou errado, baseado em motivos egoístas, pessoais, vingança ou qualquer gênero que não seja altruísta (quando as ações de um individuo beneficiam outrem). Em resumo são manipuladores, imprevisíveis, social e emocionalmente desapegados, mas acima de tudo são sinceros e não são hipócritas (Por isso conquistam tanto o publico. Pensem nisso!).

Sendo assim, qualquer anti-herói é o protagonista de sua história, e do outro lado o antagonista seria quem quer o impedi-lo de fazer o que se propõe a fazer.

O Doutor House da série já encerrada que carregava o nome do protagonista é um excelente exemplo de anti-herói. Ele pode ser um babaca, mas salva vidas e é ótimo no que faz, mas subestima as pessoas e profissionais à sua volta. Também é excessivamente acido e amargo em seus comentários. Fala o que pensa e diz o que muitos não falam, mas gostariam infinitamente de dizerem. Sim, um babaca que todos adoram: vêm nele a projeção de como gostariam de ser em certos aspectos.

Wolverine
Wolverine

Tomo agora o Wolverine.

Ele é um personagem adorado por muitos, principalmente devido à imagem que a franquia de filmes lançados nos últimos anos o deu. Todavia nos HQs ele sempre foi traçado como um sem-rumos, condenado pelos outros heróis devido à selvageria de seus atos e seus instintos animalescos, sem mencionar seu temperamento estourado, paciência quase zero, e garras de adamantium para arrancar o sorriso de rosto de qualquer um que o irrite – ou arrancar o rosto todo!  O.o

Jack Sparrow
Jack Sparrow
Ele sorri para você, mas não se iluda. Ele também pensa em te trair, extorquir, chantagear, estuprar, e atirar a qualquer momento – não necessariamente nessa mesma ordem! Afinal de contas, ele é um pirata!

Jack Sparrow também pode ser citado. Conhecido pirata desastrado da franquia Piratas do Caribe. Ele é um pouco de tudo que listei acima e são características de um vilão, mesmo assim os espectadores o adoram.

Mas, não se esqueçam, piratas saqueiam, estupram, roubam, assassinam, decapitam, matam de novo, extorquem, mentem, iludem, etc. Isso não é o perfil de um herói, é? Ou de alguém que merece admiração, é?

Não é por que um personagem é engraçado que não pode ser um vilão, ou no mínimo um anti-herói.

 

Concluo dizendo que não existe formula para se criar um personagem, assim como para se escrever um livro, mas sim existe bom senso.

O escritor deve pensar bem na construção de cada personagem. Eles podem se tornarem ainda maiores que a própria trama e enredo.

Talvez para alguns facilite usar a estratégia dos jogadores de RPG que fazem fichas onde há todas as características físicas, psicológicas, comportamentais, etc., de seus personagens.

Ou talvez seja interessante traçar uma linha do tempo e definir como o personagem estará em cada momento do enredo, criando assim uma meia de mudanças.

Enfim, há inúmeras métodos de criar… mas, o mais importante é: não deixe a criatividade de lado!

O potencial brasileiro é colossal.

Nossa mitologia, inexplorada.

Nosso território; há ainda muito que se desbravar com enredos alocados pelas terras dos tupiniquins.

Pensem então que:

              Sempre há um novo e original para se descobrir, criar e construir…

 


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