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Não resta dúvida que após o fim de Breaking Bad, a série se estabeleceu com um dos maiores programas da TV americana, quiçá mundial?! Porém, qual seria a razão de tanto sucesso? Afinal, assistíamos a construção, a transformação de um personagem, de um pai, marido e professor em um violento psicopata, um anti-herói, um homem que no fim da sua jornada assume com convicção que fez tudo aquilo, por ele, porque gostava, por que era bom naquilo e porque se sentia vivo.
De onde vinha essa ‘empatia’ do telespectador? Essa simpatia para com a história de um homem sem medidas, um homem que cometeu diversos assassinatos, arquitetou outros e foi responsável por uma centena de mortes de uma só vez? Mesmo sendo um veículo de entretenimento, percebíamos certo realismo durante o desenrolar dessa história. Um drama inicialmente armado que facilmente era justificado. Um dos principais argumentos de Walter durante a série, era que tudo era pela família. Sentíamos certa afinidade com o drama de um pai que descobre que tem câncer pulmonar, logo quando sua esposa está grávida do segundo filho. Sem falar esse pai de família, recebe pouco como professor de química no ensino fundamental e mal tem condições de sustentar a casa e o tratamento do filho com dificuldades de locomoção por conta de uma paralisia cerebral.
BrBa
Em que momento ocorreu a transição de Walter White para Heisenberg? Essa é uma pergunta que os fãs tentam identificar nas atitudes e decisões de Walter, desde o primeiro episódio. Tentando entender e constatar onde (ou quando) ocorreu essa transformação.
Heisenberg por sinal, é um pseudônimo curioso adotado pelo personagem para se distanciar do que um dia foi, ou do que talvez, nunca quis ser. Um heterônimo interessante e preciso, em apontar sutilmente quem era aquele que batia na porta, aquele que se autodenominava o perigo. Na verdade, Heisenberg foi um físico teórico alemão que desenvolveu o “princípio da incerteza”, teoria da mecânica quântica, no qual consiste a ideia de que não é possível determinar com precisão, a posição e o momento de determinada partícula. Na série, quanto mais víamos de Heisenberg, mais nos questionávamos onde estava Walt. Entre tantas associações, Heisenberg morreu de câncer, não de pulmão, mas das complicações da doença nos rins.
Breaking Bad praticamente se tornou uma religião, representada pela trindade de Walter, Pinkman e Skyler e seus principais discípulos e seguidores. A série teve 192 nomeações, vencendo 116 delas. No final de Setembro de 2013, o programa encerrava sua narrativa. Mas seu legado, ainda permanecerá por um longo tempo.
Vamos Cozinhar – Capa
Prova disso é o título publicado pela Editora Leya, Vamos Cozinhar? – O guia completo e não autorizado da série Breaking Bad. Com a principal proposta de detalhar todos os episódios do programa, esse guia vai muito além disso. O casal de autores, Ensley F. Guffey e K. Dale Koontz fizeram, foi investigar, pesquisar e analisar cada um dos 62 episódios da série. Desde sua produção, locação, até detalhes e curiosidades no roteiro e dos bastidores. Um livro necessário para todo fã da série e principalmente, para aqueles que estão a conhecendo agora. Pois, com a leitura do guia, é interessante observar o quanto durante a exibição dos episódios nos passou despercebido. Garanto que a série ganha uma outra conotação. Assisti-la (ou quem sabe revê-la), certamente será uma outra experiência após a leitura do livro.
O conteúdo do livro está dividido em etapas. Como uma receita (não de meta, mas uma receita qualquer). Primeiramente os autores fazem uma análise do episódio, sem spoilers. Depois, o esmiúça com particularidades e dedicação. Todo capítulo é dedicado a um episódio e dentro dele há um subcapítulo intitulado Química Analítica, onde por sua vez temos a seguinte divisão:
  • Percebeu?: Nessa seção são especificados detalhes, situações, gestos, objetos e atitudes que trazem um novo significado ao programa. Como por exemplo, as características que Mr. White vai apresentando como comportamento próprios, mas que na verdade já foram vistos em outros personagens (que ele matou).
  • Alta Valência: Nessa parte encontramos algum diálogo aleatório do episódio questão. Uma fala marcante. Tal como a famosíssima: “Yeah, Mr. White! Yeah, Science!” Do ponto de vista químico, valência é compreendida como a capacidade de determinado átomo se ligar a outro, por meio dos seus elétrons. Um título interessante para tratar justamente sobre diálogos, o veículo básico de ligação entre os personagens.
  • Gravando: Neste são trabalhados os planos de câmera, perspectivas, a fotografia do episódio, dentre outros. Comentando porque determinada posição de câmera ou técnica de gravação utilizada serviu para contar a história do episódio.
  • Precipitações: Aqui é possível ler as falhas do seriado. Erros de continuidade, informações que não condizem com a realidade, objetos de cena que ‘desaparecem’. Por exemplo, na última temporada, determinado personagem comenta que o que eles estão pretendendo fazer é mais difícil que matar o Bin Landen. Acontece, que para a linha temporal da série, aquele evento não poderia ter acontecido naquela época. Seria algo como uma previsão do futuro!? Foi um erro por sinal, reconhecido publicamente pelo próprio criador da série.
  • Curiosidades: Já está óbvio o que contem. E olha, são muitas curiosidades.
  • Titulação: Uma das seções mais interessantes do livro. Neste conhecemos o que há por trás do nome de cada episódio. E mais ainda como eles dão dicas e fazem parte de uma frase especifica. Na segunda temporada, alguns episódios forma uma frase que só é compreendida como o encerramento da mesma. Ponto pra genialidade dos roteiristas.
  • Música: Quando é possível a dupla de autores detalha alguma informação relevante sobre determinada canção executada no episódio e quanto ele se correlaciona com este. Como, por exemplo, o clip que abre o episódio: “Negro Y Azul” e as faixas da season finale.
Ainda há espaço para contar detalhes históricos, sociais, jurídicos, científicos e até psicológicos descritos por vezes, muito brevemente na série e sempre encerrando a ‘temporada’ do livro, com uma contagem dos mortos e quem foram os respectivos autores destas. Um destaque para a tradução de Érico Assis, que incorporou propriedade ao texto original, deixando-o mais com a cara da série.
Em sua proposta, um livro completo. Sem mais.
Breaking Bad foi um fenômeno. Um marco na televisão mundial. Uma série que já foi taxada como o “maior seriado da história”. Se você for devoto de Breaking Bad, este guia lhe serve como um manual, um itinerário para o caminho da compreensão e de um entendimento maior. Para os que não são, eis aqui um objeto para conversão de novos fiéis, irmão.
Ensley F. Guffey e K. Dale Koontz
Ficha Técnica
Título Original: Wanna Cook?: The Complete, Unofficial Companion to Breaking Bad
Tradução: Érico Assis
Editora: Leya
Ano: 2014
Encadernação: Brochura
Tamanho: 17x24cm
Nº de Páginas: 432

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Leandro de Matos

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