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Ontem, amigos, dia 17 de julho de 2013, participei de um momento histórico do nosso país. Participamos todos juntos, aliás, gostem ou não. Revolta do Vinagre, Revolta da Salada ou V de Vinagre: não importa o nome, o importante é fazer história!

Eu, Mari Martins, estive lá no meio da multidão e agora narrar-lhes-ei os fatos conforme o que meu pouco mais de um metro e meio pôde me proporcionar de visão.

Aviso-lhes de antemão que  não conseguirei, ao menos hoje, escrever sobre qualquer tumulto, invasão, depredação ou vandalismo, daqui de São Paulo ou de qualquer outra cidade. Peço desculpas por isso, mas hoje quero lhes passar um pouco de qual foi a minha visão estando lá enquanto manifestante e como não presenciei absolutamente nada disso, não julgo correto opinar sem, ao menos, um pouco de pesquisa para melhor compreensão dos fatos.

Até agora estou arrepiada com o que vi.

Poderia ser final da Copa, mas eu não havia grito de gol. Poderia ser Carnaval, mas as câmeras não estavam filmando bundas. Poderia ser até show de alguma banda internacional, mas as ruas estavam verde e amarelas demais para isso.

Os gritos que ouvi foram pela vitória da união e o show quem fez foi povo. Poderia ser Ano Novo, mas melhor que isso: foi um dia novo. Um dia em que me enchi de orgulho ao ver todo mundo unido, cantando junto, sem partido, credo ou crença. Um dia em que o Brasil acordou.

Cheguei no Largo da Batata cerca de 18h. A manifestação já havia começado antes até das 17h e segundo meus informantes, já estava marchando há 40 minutos na nossa frente! Ainda assim vi muita gente por lá, não parecia ser “o final da fila”. Logo de início vi um moço muito simpático que pintava camisetas, bandeiras e o que mais você quisesse com os dizeres “Revolta do Vinagre”.

Se terminamos a semana passada com medo da repressão, ontem o que vimos foi um show de democracia. Muitos deixaram de ir com medo de que os acontecimentos da semana passada voltassem a se repetir e ainda assim as ruas foram forradas de pessoas esperançosas.

Começamos o trajeto no Largo da Batata, descemos a Faria Lima até a Av. Juscelino Kubitschek, onde dois grandes grupos se dividiram. Ouvi dizer que outros grupos foram para outros lugares, mas a movimentação que consegui ver. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa completamente perdida geograficamente, então contei com ajuda de muitas pessoas e seus respectivos mapas ao longo do caminho para que eu pudesse entender para onde o mar de gente seguia. Para quem estava ali no meio não era possível ter noção da imensidão. Para frente era possível ver gente até onde os olhos alcançavam e para trás não me parecia ter um fim.

Por conta da maior praticidade de transporte (irônico isso, a julgar o estopim da manifestação), resolvemos ir para a Paulista. Subimos a Av. Brigadeiro Luís Antônio em direção ao MASP. (O caminho que fizemos foi mais ou menos esse: http://goo.gl/maps/8yi5G)

A cantoria estava linda e as pessoas não deixavam ninguém parar. Muitos ali não estão acostumados a caminhar tanto, mas ainda assim respiraram fundo e cantaram junto! Antes do dia de ontem, ouvi algumas pessoas reclamando que aqueles que estariam nas ruas seriam apenas desocupados, gente que não trabalha ou que não usa transporte. Para esses eu só digo uma coisa: Prometo não abrir mais a boca se vierem na próximo e me provarem que todos ali eram desocupados.

Vi gente de terno e gravata ali. Vi jovens, idosos e crianças. Conheço quem foi e nunca havia passado nem perto de uma manifestação e também gente que bate carteirinha em todas as possíveis. A maior parte dos que conheço chegaram mais tarde porque foram direto do trabalho, da faculdade ou da escola. Ninguém ali era desocupado e todos ali estavam ali porque acreditavam em algo muito mais que os vinte centavos. Vi gente pedindo desculpas as trombar sem querer com alguém, se oferecendo para jogar o lixo alheio no lugar certo, ajudando aos que tropeçaram e com olhos brilhando ao ver que não era o único a estar cansado de ser feito de bobo.

Sei que muitos estavam sedentos por conflitos, mas para quem estava lá, não ter visto nada que pudesse ser julgado negativo foi a melhor coisa que poderia acontecer numa manifestação. Não vi policial tentando impedir o direito de ir e vir de ninguém. O único rojão que ouvi foi de comemoração, seguido de aplausos (não concordei a princípio, mas tudo bem). As lágrimas não vieram de bombas de gás, mas do orgulho de ter conseguido uma mobilização tão bonita, de um povo que se mostrou unido e de uma polícia que respeitou e mereceu respeito. Parabéns a todos os envolvidos.

Manifestantes somos todos nós! Não precisou ter sangue pra chamar atenção e nosso grito bonito fez os ideais serem o foco, mas não podemos também nos esquecer do que nos trouxe até aqui. Não é festa, não é brincadeira, é um assunto sério e deve ser tratado como tal até que nos ouçam (e depois também).

Peço que não se calem agora. Nos calamos por tempo demais e o grito está saindo muito alto para que deixemos morrer no eco. Por favor, não desistam dessa luta, que não é (e talvez nunca tenha sido realmente) por vinte centavos. Nós temos SIM a voz para direcionar as prioridades do NOSSO país. “Hoje é a condução, amanhã é educação”. E depois de amanhã deverá ser a saúde e depois a PEC 37 e por aí se segue até conseguir fazer nossa voz valer alguma coisa. Aliás, acho lindo o interesse de todos por uma reforma nos mais variados setores! Espero que todos estudem direitinho e façam a lição de casa para não deixar que continuem nos fazendo de troxas, bem como também precisamos deixar de hipocrisia diária e cumprir nossos deveres como cidadãos e humanos.

Agradeço a cada um dos irmãos de pátria que ajudou, conhecido ou desconhecido, mas que compartilhou informações na rua, “na base”, no carro e na varanda. Deixo um agradecimento especial ao rapaz chamado André que me emprestou o celular quando estava completamente perdida de todos e aos meus pais, pela boa educação política que recebi em casa e mais ainda por estarem lá comigo, mesmo com medo do que pudesse vir a acontecer.

Confesso que não quero terminar esse texto ainda. Não quero que o que está acontecendo no país agora termine também. Nossos representantes precisam entender que a voz é nossa e não nos calaremos enquanto não formos ouvidos. Presenciei uma das cenas mais emocionantes da minha vida enquanto subia a Brigadeiro Luís Antônio e a compartilho aqui embaixo com vocês (acabei não tendo tempo de editar, mas até acho que ficou legal o registro completo também).

Na volta para casa, já dentro da estação Consolação, ouvi daquela multidão não contabilizada nas mídias vozes de quem não se deixaria calar por nada: “É SÓ O COMEÇO“. Que seja só o começo, amigos, e que esse dia não tenha sido em vão!

 

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=G2a8ukd1D9Y]

 

P.S.: Hoje tem o sexto grande ato na Praça da Sé, em São Paulo. Quero ver todos lá unidos novamente! Informe-se onde e quando haverá a manifestação da sua cidade, o Brasil precisa de todos nós.


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