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Somente ao término do livro Psicose, do autor norte-americano Robert Bloch (1917 – 1994) é possível entender toda a fixação e o interesse que o diretor inglês Alfred Hitchcock (1899 – 1980) teve para com o romance e que por sua vez, tão primorosamente culminou na produção e direção, do mais famoso filme de suspense da história do cinema.
É bem verdade que todo o sucesso que o filme de Hitchcock trouxe, ofuscou um pouco a excelência do livro. Que por sinal, é até compreensível, pois logo após a publicação em 1959, Hitchcock adquiriu os direitos para a adaptação e comprou todos os 3 mil exemplares disponíveis na época para que ninguém tivesse acesso ao final. Dessa forma ele manteve o segredo do final do filme intacto (e ainda pedia às pessoas que já tinham assistido que não contassem o final) e consolidou toda a aura do suspense, que se mantém até hoje. Bem sabendo da boa história em que havia apostado, Hitchcock afirmou “que todo o filme veio do livro” e foram poucas as mudanças que Hitchcock fez, mas nenhuma delas alterou substancialmente o enredo em que propõe o livro.
A história do livro/filme gira principalmente em torno de Norman Bates, proprietário e gerente do Bates Motel, que fica localizado numa parte pouco movimentada de uma estrada, que outrora era uma via principal, deixando assim a hospedagem com pouco ou quase nenhum movimento.
Após roubar US$ 40.000 de um cliente do escritório imobiliário no qual trabalhava, Mary Crane foge e vai durante o caminho tentando despistar, quem por ventura estivesse lhe perseguindo. Em meios a dilemas existenciais e flashes de caráter moral, praticamente nem nota quando chega à erma localidade do Bates Motel. Onde muito prontamente é atendida pelo atencioso e tímido gerente, que lhe reserva o quarto de número 6. Cansada da viagem e do peso do ato que cometeu, relembra tudo que fez sob a água do banho que em que tranquilamente tomava e por fim conclui, que o certo é retornar e procurar se redimir dos seus atos, mas bem antes de descansar e concretizar esse pensamento, a última coisa que passa pela sua cabeça, é a sensação de pavor e medo que sentiu enquanto era morta a facadas. Logo após esse fato, começa uma série de buscas e investigações para saber o que de fato aconteceu com Mary e o dinheiro que carregava e todas as pistas vão aos poucos levando ao Bates Motel.
Psicose 1960
O universo criado com Psicose foi tão grande, que com a morte de Hitchcock nos anos 80 e mais de 20 anos depois, foram feitas ‘continuações’. Buscando repetir o sucesso de publico e crítica foram produzidas 3 continuações: Psicose II (1983), Psicose III (1988) e Psicose IV A Revelação (1990), porém nenhuma delas obtiveram algum sucesso estrondoso (como o primeiro). Um remake do clássico foi feito em 1998, pela direção de Gus Van Sant que também levou o nome de Psicose, mas também sem grande alarde. Atualmente podemos acompanhar a origem de Norman Bates nos episódios da série Bates Motel, que conta a origem de um dos psicopatas mais marcantes do mundo dos cinemas. A série pretender contar fatos antes do filme de 1960. O canal Universal Channel exibe a primeira temporada as quintas e a série já foi renovada para uma segunda temporada.
Filmes Psicose
A responsável por reavivar o interesse pelo clássico livro no Brasil é a editora carioca Darkside Books, que tem a premissa de ‘desenterrar’, clássicos do terror e suspense que estão esquecidos em meio ao tempo, mas não da memória dos leitores. Além de trazer novos títulos na mesma linha, à editora já não vem mais apostando no escuro, e sim, (trocadilhos à parte) vem claramente angariando elogios de seus leitores e de outros formatos de mídia, no concorrido e diversificado mercado editorial brasileiro. Inicialmente buscando um nicho especifico de público, a editora em menos de um ano, já se firma como uma das maiores revelações editoriais de 2013 e preza por edições com altos padrões de acabamento gráfico, uma equipe de marketing impecável e títulos que vão desde filmes para ler, biografias, uma nova trilogia de fantasia dark e até um dossiê, sobre a mente e crimes dos mais famosos seriais killers da história.
Livros Darkside
Falando em serial killer, Robert Bloch ao desenvolver a personalidade de Norman Bates, se baseou no caso real do “açougueiro louco” Ed Gein, talvez o mais famoso serial killer de que se tem notícia. Assim como Norman, Ed sofria a opressão de uma mãe autoritária e dominadora, que aplicava uma mão forte na criação de seus filhos. Mas apesar de tudo, ambos demonstravam uma devoção cega pela figura materna, que somado a outros traumas e perdas que se sucederam a ambos (Norman/Gein), contribuíram para a formação de uma personalidade doentia que se escondia entre facetas de simpatia e aparente cortesia. Aliás, não só Norman foi baseado em Ed Gein, Leatherface personagem da franquia O Massacre da Serra Elétrica e Buffalo Bill de O Silêncio dos Inocentes também foram baseados em Edward Theodore Gein.
 Psicose
Preenchendo um hiato de mais de 50 anos, desde a última publicação até hoje, a Darkside para o relançamento do livro, preparou duas edições primorosas: uma em brochura e uma outra em Limited Edition, que vem com capa dura, além de imagens do filme clássico. Ambas as edições da Darkside são verdadeiros colírios impressos. Capa, espaçamento,e belíssimos detalhes gráficos, são só alguns pontos a destacar em todas as publicações da editora.
Psicose Darkside Books
Psicose Darkside Books 2
Detalhes esse que me chamaram a atenção, como por exemplo, nos trechos finais do capítulo 6, onde se passa a clássica ‘cena do banheiro’, ao virar a última página, nos deparamos com uma imagem do filme que se encaixa perfeitamente, com o que acabou de ser lido.

Então ela viu – um rosto, espiando entre as cortinas, flutuando como uma máscara. Um lenço escondia os cabelos e os olhos vidrados a observavam, inumanos. Mas não era uma máscara, não podia ser. Uma camada de pó dava à pela uma brancura de cadáver; havia duas manchas de ruge nas maças do rosto. Não era uma máscara. Era o rosto de uma velha louca.

Mary começou a gritar. A cortina se abriu mais e uma mão apareceu, empunhando uma faca de açougueiro. E foi a faca que, no momento seguinte, cortou o seu grito. 

E a sua cabeça.

Psicose Darkside Books 3
Um fato curioso desse novo lançamento é que, não obtendo sucesso em descobrir a quem pertencia os direitos de publicação do livro, a editora seguiu uma dica de agentes americanos e perseguiu ao longo de um ano efetivar a compra dos direitos, que por sua vez, só foi possível após contatar os advogados espanhóis da família do falecido autor, para só assim, receberem o aval para a republicação do título em solo tupiniquim.
Psicose é um livro para se assistir e um filme para se ler diversas vezes.
PSICOSE
Autor: Robert Bloch
Editora: DarkSide Books
Tradução: Anabela Paiva
Ano: 1959
240 páginas
Preço: R$ 39,90 ou R$ 59,90 (capa dura)

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Leandro de Matos

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