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‘O que o cérebro tem para contar’ é um livro que propõe dentre muitas coisas, explicar como danos cerebrais, podem de alguma forma, despertar aptidões escondidas na maior máquina da natureza.

Lançado originalmente em 2011, o livro do professor em psicologia e neurociência da Universidade da Califórnia, o indiano Vilayanur S. Ramachandran, foi publicado no Brasil pela Editora Zahar em Junho desse ano. No seu quinto livro, o cientista conta casos e causos de pessoas que sofreram, nasceram ou desenvolveram distúrbios, danos e lesões cerebrais das mais curiosas e diversas e principalmente, como estas afetaram e modificaram suas vidas. Ramachandran traça um panorama narrativo interessante para qualquer tipo de leitor sobre a temática ao contar, por exemplo, sobre um indivíduo que em plena aptidão física, possui um desejo latente em retirar uma das pernas?! Um outro não reconhece as pessoas ao encontrá-las! Uma paciente ri quando senti dor?! Isso sem falar no distúrbio sensorial da sinestesia, onde pessoas acometidas dessa condição, provam cores, sentem números e vêem sons.

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Há relatos também de síndromes raras que acometem ao ser humano. Ao descrever sobre a Síndrome de Cotard (também conhecida como a síndrome do cadáver ambulante), o autor ilustra como um paciente acredita veemente que estar morto, não reagindo a estímulos externos e admitindo que seu corpo e órgãos internos estão apodrecendo. Já os que sofrem da Síndrome de Capgras, possuem a estranha ideia de que familiares, pessoas próximas e até animais de estimação, foram substituídos por impostores. E há tantas outras que detalhá-las, poderia comprometer o prazer proporcionado pela leitura.

Antes que fique a impressão que o título é uma coleção de relatos sobre doenças de um modo geral, na verdade, a proposta do cientista é muito além disso. O que o mesmo faz ao descrever essas histórias, é ilustrar sobre como por trás de cada particularidade, o cérebro está presente trabalhando, se adaptando e se recriando diante de cada nova situação. Essa é o maior argumento do livro. Um excelente exemplo disso está presente no capitulo Membros fantasmas e cérebros plásticos, onde conhecemos um elucidativo mapa cerebral (Mapa de Penfield) e sobre como a plasticidade do cérebro trabalha ao nosso favor. Registros de membros fantasmas existem desde a Antiguidade, mas o que Ramachandran fez foi provar que estamos diante de uma máquina ainda longe de ser conhecida e que não nos cansa de nos surpreender.

O autor me impressionou ao contar sobre um paciente que possuindo um membro amputado, apresentava uma “bizarra tendência a atribuir à mão fantasma sensações táteis originarias no rosto”! Ou seja, quando o cientista tocava próximo ao seu maxilar, ele sentia o toque no dedo indicador da sua mão amputada!!! E mais ainda, com um truque simples, ele atenuou dores de um paciente que reclamava de dores horríveis em sua mão amputada. O autor explica que quando sofremos um acidente ou lesionamos um membro, o cérebro aprende a lidar com a dor do seu jeito. Por exemplo, quando se quebra um braço, a dor é excruciante e se passa de 20 a 30 dias, com o mesmo imobilizado (engessado) para restabelecer a estrutura do osso fraturado. Por conta desse período, o cérebro assimila que mexer o braço (estender) vai causar alguma dor e esse condicionamento leva algum tempo para se dissipar – do conceito de se articular o braço haverá dor. Caixa espelho Quando se pula essa etapa, no caso de um acidente onde haja a necessidade abrupta da amputação do membro, o cérebro repassa todo esse processo normalmente, mesmo quando não há mais membro algum. Usando uma caixa de sapatos velha,o cientista teve a ideia de dispor um espelho ao lado contrário do membro amputado, de uma forma que visualmente o paciente possa ter, pelo menos de forma virtual uma mão no lugar até então vazio. Dessa forma, o cérebro vai processando de forma gradual esse condicionamento visual e motor (mesmo que inverso) e vai atenuando as dores desse processo. Esse é só um dos inúmeros casos relatados nesse excelente volume.

A leitura proporcionada de ‘O que o cérebro tem para contar’ é exatamente como está descrito na contracapa: uma incrível turnê pela neurociência. O livro ainda trata sobre linguagem, imagem corporal e sobre aqueles que são considerados o DNA do cérebro, os neurônios-espelhos. Leitura indicada para qualquer nível de conhecimento sobre a temática, pois V. S. Ramachandran foi preciso em escrever um volume compreensível, interessante e explicativo.

Ao terminar a leitura, não será só o seu cérebro que terá algo para contar, você também!

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Assunto: Ciências
Tradutor: Maria Luiza X. de A. Borges
440 páginas
16x23cm

Desvendando um pouco mais a leitura:

  • V.S. Ramachandran possui mais de 180 artigos publicados e muitos deles estão presente em revistas conceituadas, como a Nature e a Science.
  • O autor possui outros livros publicados que transitam sobre a mesma temática do cérebro e como desbloquear (e conhecer) seus mistérios. Dentre eles, A Brief Tour of Human Consciousness (Uma breve turnê da consciência humana, em tradução livre). Lamentavelmente ainda não publicado no Brasil.
  • Por sua vez, o livro Fantasmas no Cérebro: uma investigação dos mistérios da mente humana já foi lancado no Brasil em 2002.
  • O Cérebro nosso de cada dia é um projeto elaborado em colaboração com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ e pela equipe da Suzana Herculano-Houzel, neurocientista do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, onde fica disponibilizado um site com vídeos e textos de conteúdo pertinentes à matéria.

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Leandro de Matos

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