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22 de Setembro de 2014. 
Hoje faz 10 anos que LOST foi ao ar pela primeira vez nos EUA. No Brasil, pela TV aberta, ela seria exibida só em Fevereiro de 2006. Para quem tinha TV a cabo, o programa já passava no AXN com um delay de alguns meses. E foi pelo menos para mim, algo bastante significativo e especial. O motivo de escrever o texto e a importância dessa série é oriunda da experiência de ter vivenciado tudo isso naquela epoca. De ter ‘teorizado’, de ter lido e participado de forma ativa e omissa em fóruns e comunidades do falecido Orkut, de ter adquirido produtos quando eles chegavam às lojas, ter esperado ansiosamente por um próximo episódio e/ou temporada, ter comprado briga com amigos pela série, personagens, teorias e o rumo daquilo tudo. Mas, esses são só alguns exemplos de como LOST foi tão representativo e subjetivo, como um programa que me manteve atento por 121 episódios, como uma amizade feita e fortalecida durante seis anos e que até hoje é lembrada com apreço e nostalgia.

A SÉRIE
LOST Opening
Como um produto, a série foi um marco. É um fato que LOST teve toda essa repercussão por conta do momento certo em que foi produzida e exibida. Estreando no inicio dos anos 2000 e aproveitando o boom da Internet, o programa estabeleceu regras, dentro e fora da televisão em vários parâmetros. A série criou a concepção de finais duplos. Várias séries estrearam nesse período, mas ela foi a primeira a ‘falar’ com os fãs, a interagir, expandir e explorar a capacidade desses telespectadores, buscando e utilizando as redes sociais como um segundo público para o show. LOST não foi feito para explicar. Os produtores e roteiristas brincavam com toda a capacidade da Internet da época, para divulgar vídeos, disponibilizar sites que exploravam arcos específicos do programa, para ver até onde os fãs teorizavam (e piravam) sobre a série.
Era questão de horas, dependendo do episódio, claro, para já estarem disponíveis as legendas feitas por fãs. Equipes de fansubs surgiram aos montes nessa época. Os canais de televisão que repassavam aprenderam que os episódios não seriam ‘inéditos’ se eles demorassem tanto. Os fãs traduziam a série como fãs, inserindo originalidades ao texto que era replicado por esses canais. Diferente do home vídeo que nos discos da primeira temporada, por exemplo, preferiu traduzir escotilha (the hatch) como “portinhola”, quando não por “tampa”?
O conceito de flashback virou artifício comum para as produções posteriores. Não que nunca tivesse sido utilizada, mas como LOST, extrapolou esse recurso, boa parte das séries que vieram em seguida de uma forma ou de outra, se apropriaram desse mesmo conceito. A série serviu para mostrar que todo mundo é próximo de todo mundo. A teoria dos 6 graus de separação nunca foi levada tão a sério.
Quando nos deparávamos como algo no mínimo curioso sobre os encontros e desencontros da vida, LOST virava substantivo. 

OS PERSONAGENS
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Talvez LOST seja a série com o elenco mais eclético, digamos assim. Todo o globo terrestre está representado de alguma forma em algum momento durante rante alguma temporada específica. Até mesmo o nosso tão famigerado país, teve sua cota com a representação de um personagem que durou apenas sete episódios, mas que em compensação, teve um “fim” entre os mais assistidos da terceira temporada. “Exposé” foi um filme em 40 minutos. Existem vários personagens de destaque na série, mas para mim, John Locke é um dos melhores e mais bem construídos personagens da televisão mundial. Alguns personagens traziam no RG representações do que seriam e fariam na série. Jack, por exemplo, trazia como sobrenome uma alusão a pastor, a líder. O já citado John Locke, foi um filósofo que desenvolveu o argumento da tabula rasa – que intitula determinado episódio – e que tem por sentido, explicar que o homem nasce sem conhecimento algum (como uma folha em branco) e esse processo de aprendizado é adquirido somente através da experiência (daí vem às linhas na folha/tabula). James Ford – o Sawyer – trazia um pouco do personagem do livro de Mark Twain.

OS MISTÉRIOS
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Se os números estiverem corretos, são 127 mistérios na serie ao todo. Na proporção que 68 mistérios foram esclarecidos, 40 parcialmente e 18, ainda permanecem sem qualquer solução. Dentro e fora da ilha, dos números ao Jacob, muita coisa ficou sem explicação. Essa necessidade de ter tudo resolvido dentro do decorrer de um programa, já apontava como um reflexo do que a Internet iria causar em boa parte dos telespectadores, a necessidade gritante e verborrágica de ter uma resposta imediata, de não estender muito determinados problemas, pois o atual telespectador é imediatista, intransigente. Por isso não é segredo para ninguém que se LOST fosse produzida agora, a série não vingaria. Atualmente, os tempos são Outros.

AS TEMPORADAS
Sempre creditei LOST como uma série audaciosa. Se levarmos em consideração todo o plot do programa em si, já era um risco. No inicio do programa, se chegou a usar o reality show Survivor, como referência para explicar a historia central dos primeiros episódios. Ainda bem que a série foi definindo sua intenção e seu tom no decorrer destes. Os primeiros episódios da temporada de estreia eram focados nos sobreviventes, no acidente e como eles estavam interagindo entre eles e o ambiente (a ilha). Logo nesses episódios, é notório que determinados arcos que viriam a ser explorados à frente, já estavam presentes. Implícitos ou não, a dualidade do bem e do mal (branco e preto), o casal encontrado nas cavernas, os ursos polares, dentre outros, serviram de prova para aqueles que diziam que eles estavam escrevendo a série sem um rumo certo.
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No final da primeira temporada, eles invertem toda e qualquer esperança de resgate, sem falar que enfim, eles ‘abrem’ a escotilha. Na segunda temporada, para mim a melhor temporada de todas, eles apresentam os Outros, a Dharma e têm alguns episódios épicos, vide “The Other 48 Days” – o episódio que retrata o que aconteceu com os sobreviventes da outra parte do avião – e o episódio final que ‘explodiu’ a cabeça de muita gente. Durante a terceira temporada, apesar de excelente, houve sim alguns episódios que não agregaram nada ao enredo da série, como o episódio das tatuagens do Jack e o episódio do cavalo da Kate, mas do meio para o fim, os episódios ganharam fôlego e entregaram o que acredito ser a maior proposta do programa, os flashforwards, onde todo mundo assistiu ao episódio duplo final acreditando ser um evento passado e nos minutos conclusivos, percebemos que era na verdade o futuro, e mais ainda, mostrando claramente que eles saíram da ilha e o mais impressionante que eles precisavam voltar!?!?!?
Lembro que depois disso, minhas teorias acabaram…
Durante as temporadas seguintes houveram flashbacks, flashfowards, viagens no tempo e os flash-sideways, um conceito novo que pretendia apresentar determinado acontecimento em paralelo ao enredo principal. Tais conceitos foram melhores explorados e explicados em Fringe – série por sinal, também encabeçada por J.J. Abrams – mas, é bem verdade que naquele momento, estávamos tão ‘vidrados’ na série, que mal observávamos que mais mistérios e enredos eram apresentados e poucos explicados. Ainda era aceitável para o fã da época tanta narrativa não linear.
A quarta temporada trouxe novos personagens que tiveram sua devida relevância na trama, permanecendo como ‘fixo’ até o final. Serviu também para certificar todo o talento de Elizabeth Mitchell, como uma excelente atriz ao interpretar a médica de fertilização Juliet Burke. Liderança foi à palavra da quarta temporada, que ainda mostrou a ilha se movendo no tempo-espaço! Tivemos os Oceanic 6. Descobrimos quem saiu da ilha e a curiosa relação do pai do Jack com a ilha.
Na quinta temporada, já sabendo que teríamos somente mais uma temporada para conhecer  o final da série, alguns problemas/mistérios foram criados, mas em sua boa parte a temporada serviu para fechar o ciclo dos que estavam na outra época da ilha, mas também apresentou o inicio do projeto Dharma, a diferença de tempo dentro e fora da ilha, Jacob e o seu irmão/rival/sei lá o quê, a bomba Junghead, esses e outros foram só alguns dos pontos trabalhados para essa penúltima temporada que também fechou de forma grandiosa com o episódio “The Incident”.

O FINAL
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E a temporada final? O que dizer dessa tão amada e odiada temporada? Assim como a primeira temporada, a sexta e ultima temporada de LOST teve seu inicio e sua finalização em episódios duplos. Os episódios que prometiam fechar a história dos sobreviventes do voo 815 e os que já estavam na ilha, começaram tentando amarrar as pontas soltas do season finale da quinta temporada e seguiam apresentando pequenos enredos, que sabiamente tiveram suas pequenas e rápidas conclusões. Outras obviamente ficaram em aberto, mas nada que comprometesse a proposta central dessa temporada em mostrar a conclusão do embate entre o branco e o negro (Jacob e o seu irmão), o que aconteceu após a detonação da bomba de hidrogênio, o que ainda havia para ser contado sobre o pai da Penny e o uso dos flash-sideways como recurso para mostrar um encontro pós-morte dos personagens.
No êxtase da exibição dos episódios finais, talvez tenha passado a impressão de que eles estavam todos mortos, mas isso não é bem verdade. Aquele final dentro da igreja é algo como um encontro, um retratação futura de todos aqueles que já morreram (na ilha) e com os que saíram dela e com o passar do tempo findaram sua vida, como a vida ou o tempo exige. A série partiu para um final emotivo, mas a meu ver satisfatório e conclusivo. Ali naquele momento, tivemos certeza de que todos compartilharam algo único naquela vida e que o tom espiritual daqueles minutos, atestaram a força do destino como um elo na vida daqueles indivíduos.
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Não fui um dos candidatos, mas certamente fui um dos escolhidos dentre muitos, por Jacob para assistir, divagar, experimentar e vivenciar de alguma forma, essa história que falou sobre o bem e o mal, sobre a vida e a morte, sobre o destino e o livre arbítrio, sobre a  fé e a ciência, sobre amor e ódio, sobre escolhas, sacrifícios, redenção, salvação, mas acima de tudo, sobre se perder e se encontrar.
Respectivamente, como síntese do que vivi com a série e para aqueles que ainda um dia quem sabe, poderão começar a conhecê-la, eu replico as palavras finais do Dr. Marvin Candle no vídeo de orientação da Dharma:
Obrigado, namastê e boa sorte…
e claro…
brotha
Vídeo da Comic Con-2014 em celebração aos 10 anos de LOST:

https://www.youtube.com/watch?v=LgXM-b9ouD0


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Leandro de Matos

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