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Os últimos 20 anos, foram essenciais para a construção de um novo padrão da televisão americana. Quem acompanha alguma série, deve ter se deparado em algum momento, seja através de amigos ou pela internet, sobre alguma série considerada cult, conceituada como percussora de um gênero ou de um formato. Basta procurar pelas famigeradas e polêmicas listas das maiores e melhores séries de todos os tempos. É possível fazer breves associações, entre algumas das principais séries dos últimos anos, encontrado ao menos alguma coisa em comum entre elas, como por exemplo, antes de Fringe houve Arquivo-X. Antes de How I Met your Mother, havia Friends e antes de Friends, por sua vez Seinfeld. Antes de American Horror Story – Freak Show existiu Carnivàle. Antes de Prison Break, Oz. E antes de Breaking Bad, havia Os Sopranos. E assim é possível seguir sucessivamente…

Tendo em comum um personagem multifacetado, politicamente incorreto e em constante construção e destruição da sua persona, estas últimas duas séries, são os principais objetos da narrativa do excelente livro Homens Difíceis – Os bastidores do processo criativo de Breaking Bad, Família Soprano, Mad Men e outras séries revolucionárias, lançado pela Editora Aleph. Além de detalhar inúmeras curiosidades sobre a produção destas já citadas séries, o autor (e jornalista) Brett Martin, estrutura o livro como se fosse um roteiro, onde cada capítulo constrói e elenca o próximo, deixando a iminência do ápice para o final. Aliás, roteiro, é o tema central do livro, pois a proposta do mesmo é identificar quem são as cabeças pensantes (os showrunners), por trás desses grandes programas.

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Brett por muito tempo foi escritor em revistas (de gastronomia!?), porém em 2007, o autor se empenhou em escrever uma matéria para a revista americana “GQ” e todo empenho e dedicação para esse trabalho mais tarde lhe renderia um fruto, pois à convite da HBO, o autor escreveu um livro que detalha os bastidores d’A Família Soprano. Ele que nunca foi crítico de televisão, mas sempre acompanhava os principais programas, resolveu se dedicar a construir um livro mais abrangente, não tão segmentado a somente uma série, um livro que se propusesse dar destaque as histórias, aos roteiros, os criadores e principalmente, aos personagens, aos homens difíceis das principais séries dramáticas. O livro que demorou três anos para ser concluído, também detalha alguns dos percalços percorridos para um projeto obter sua produção concretizada nas principais emissoras americanas.

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Apesar de mencionar sobre tantas outras séries, Brett direciona o livro para programas focados no personagem e no roteiro, de canais fechados e de produção independente, dessa forma o livro basicamente é focado em Breaking Bad, The Sopranos, The Wire e Mad Men. Não só essas, mas Game of Thrones, Dexter, Son of Anarchy, Deadwood, Carnivàle, Roma, Six Feet Under, Nip/Tuck, Boardwalk Empire, tiveram sua relevância de alguma forma dentro dessa formatação televisiva. Canais como HBO, Fox, AMC, Showtime, dentre outros, apostaram e desistiram de programas que fizeram história, ao apresentar algo novo e original e também estão presentes de alguma forma no livro.

Uma das excelências de destaque na leitura, fica por conta dos detalhes e curiosidades apontadas pelo autor entre criadores e criaturas. É delicioso como admirador desses programas, conhecer o que há em Walter White de Vicent Gilligan e em Tony Soprano de David Chase. Além de reconhecer também que não há só homens difíceis, mas mulheres também. Como é o caso de Glenn Close em Damages e da linda Claire Danes de Homeland.

Orson Welles, diretor do clássico Cidadão Kane, afirmou “detesto televisão, tanto quanto de amendoim. Mas não consigo para de comer amendoim.” É bem verdade que atualmente, a TV disputa e na sua grande maioria já perdeu espaço para os serviços de streaming, mas o que importa para o (tel)espectador é o produto, é o entretenimento e a execução de uma mídia que te prenda diante da tela de uma TV, tablet, celular ou de um desktop.

“Todo grande programa de TV conta sua história inteira no piloto. Em geral, usando apenas uma linha.”

Mesmo com o final de Mad Men, programado para 2015 e com o fim de Breaking Bad, poucos meses antes do lançamento do livro nos EUA, o livro não ficou datado a períodos, pois o autor acredita que desde que o primeiro episódio de Os Sopranos, foi ar pela primeira vez em 10 de Janeiro de 1999, a série serviu para estabelecer um certo padrão bem presente nos programas atuais. Fugindo dos estereótipos de galãs e heróis, as séries dramáticas atualmente prezam por edificar um personagem complexo, emocionalmente falho, onde não há tanto apelo estético, mas sim uma entrega de grande carga artística e dramática em apresentar e construir um personagem humano.

Walter White, Tony Soprano, Don Draper, Nucky Thompson, Francis Underwood e tantos outros são os amados e odiados os anti-heróis.

Brett Martin estabelece que a Terceira Era de Ouro da Televisão, o período que vai do fim dos anos 90 até meados dos anos 2000 não findou. O resultado das transgressões cometidas por essas séries ainda está vigente. O telespectador atual quer ser surpreendido de alguma forma. Não há mais concessões para mocinhos e vilões, todos podem transitar na fina linha que os separa e os define em questão de minutos (ou de episódios). Para mim, o exemplo máximo disso está nos 40min de exibição de ‘Ozymandias’, de longe o melhor e mais surpreendente episódio de Breaking Bad.

Em Homens Difíceis, encontramos uma leitura detalhista e inteligente, que combinada a uma pesquisa e análise cultural e até mesmo histórica, estabelece seu texto pautado pela descrição clara, coesa e original, como toda boa estória/roteiro deveria ser.

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Homens DifíceisOs bastidores do processo criativo de Breaking Bad, Família Soprano, Mad Men e outras séries revolucionárias
Ano: 2014
Número de páginas: 368
Acabamento: Brochura
Formato: 16x23cm
Tradução: Maria Silva Mourão Netto*Galeria dos anti-heróis é criação de Renato Thibes do blog Registro Dissonante

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Leandro de Matos

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