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Engenhosos, satíricos e até emotivos. Essas são só alguns dos adjetivos, que poderiam ser facilmente atribuídos aos robôs presentes nas icônicas histórias, que compõe o clássico da literatura de ficção científica Eu, Robô de Isaac Asimov.
Originalmente publicado há 65 anos, o título não envelhece, pelo contrário, se renova a cada década e ganha novos leitores a cada nova reedição. O que é exatamente o caso dos leitores brasileiros, que atualmente podem contar com a caprichada edição publicada pela Editora Aleph.
Eu, Robô - Capa
Ao lado de Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, Isaac Asimov figura como um dos “três maiores” da ficção científica. Clarke, aliás, também faz casa na Aleph com outros títulos publicados.
Porém, nem sempre as histórias que formaram Eu, Robô, foram tão bem aceitas. Como está presente em A história por trás dos romances de robôs, um capítulo da obra onde Asimov se dedica a detalhar um pouco sobre os percalços que as nove histórias que compõe o livro foram sofrendo até a publicação final; nele o autor explica que seus contos foram rejeitados, recortados, adaptados, modificados e aos poucos e por fim, aceitos por alguns editores para serem publicados em revistas especializadas da época.
Ao longo dos anos 40/50, Asimov seguiu perseverando em seus contos e naquilo que acreditava como autor. Com inteligência ele construiu uma narrativa paralela aos contos, onde não há necessariamente um ponto de partida, todas as narrativas são independentes entre si e vão tecendo uma realidade futurista, onde a colonização espacial foi só mais um feito da inteligência e capacidade humana.
O autor utiliza um repórter para nos guiar, através de uma entrevista que percorre e explora as memórias da Dra. Susan Calvin, psicóloga roboticista da U.S. Robots and Mechanical Men (a USRobotics), vamos gradativamente conhecendo a mecânica, o comportamento e diga-se até a personalidade de alguns robôs que marcaram permanentemente as lembranças da doutora.
Lei 1 e 2

 Primeira Lei da Robótica

Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido.

Segunda Lei da Robótica

Um robô deve obedecer as ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.

Terceira Lei da Robótica
Terceira Lei da Robótica
Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou com a Segunda Lei.
As famosas Três Leis da Robótica aparecem pela primeira vez no conto Andando em Círculos, onde uma dupla de cientistas (Gregory Powell e Mike Donavan) e o robô Speedy são enviados ao planeta Mercúrio, para reiniciar as operações de uma antiga estação espacial desativada há 10 anos.
No primeiro conto do livro, Robbie, Asimov desenvolve (e subverte) o Complexo de Frankenstein, que consiste no medo dos seres humanos para com os robôs ao contar a história de um robô mudo de propriedade de uma rica família, que serve como babá e companhia para a única filha do casal. Solitária e carente, a menina encontra em Robbie um verdadeiro (e único) amigo, para a preocupação da mãe, que não ver com bons olhos toda essa proximidade.
Em Mentiroso, um dos melhores contos do livro, uma falha na linha de produção gera uma anomalia no cérebro positrônico de uma unidade robótica, no qual lhe confere a fascinante capacidade telepática de ler mentes. O conflito ocasionado pelo comando e ordenamento das três leis da robótica confere ao conto um passeio no que há de mais original e brilhante dentro do gênero.
Detalhar sobre os demais contos seria até errado, pois estaria privando dos futuros leitores a possibilidade de conhecer essa realidade, que atualmente não nos soa assim tão distante.
”(…) a Máquina está controlando o futuro para nós e não apenas com uma resposta direta às nossas perguntas, mas como uma resposta geral à situação mundial(…)”
Eu, Robô se estabelece como uma excelente escolha para conhecer a obra de Isaac Asimov, ou para adentrar no gênero da ficção científica como um todo. Suas histórias são como fábulas, onde os personagens travam batalhas externas (e internas) para o aprofundamento e conhecimento do “eu”. A empatia é presente para com todos os robôs apresentados, sejam eles os sagazes, os simplórios ou a Máquina. Questões filosóficas sobre “o que difere homem das maquinas”, “o que é sentir” e “estar vivo” dão um tom sutil e elegante à obra. Sentimento, crença, psicologia e razão são conceitos explorados no livro e que só atestam a capacidade inventiva da escrita de Asimov.
Inovador, intenso e completo.
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FICHA TÉCNICA
Título: Eu, Robô
Páginas: 320
Tipo de capa: Brochura
Formato:14x21cm
Ano: 2014
Tradução: Aline Storto Pereira

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Leandro de Matos

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