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Só para alertá-los, esse não é um texto sobre filme, games ou quadrinhos, é um texto sobre o Rafa, não é uma ficção, apenas um desabafo, um vomitado de palavras que estavam presas há anos dentro de mim e que há duas semanas, um gatilho foi ativado e tudo veio a tona.

O fato de duas semanas atrás foi: voltei a jogar Counter Strike, depois de praticamente 6 ou 7 anos parado, e esse fato desencadeou milhares de reflexões dentro de mim. Eu cresci em meio a livros e vídeos games, 90% da minha vida foi livros e games, skate e malabares também ocupou boa parte dela, mas fui moldado por livros, hqs e games. Lembro quando conheci Counter Strike 1.4 e minha vida mudou. Era o momento que eu interagia com diversas pessoas, mas sem precisar ter contato visual, ou apertar suas mãos ou fingir aturá-las para não fazer uma “feiura social”. Tanto o CS quanto o Second Life foram dois grandes marcadores em minha vida que fizeram um bem enorme dentro do meu íntimo. Quando estava no jogo, eu me sentia completo, feliz. Após o jogo, conseguia ter mais paciência, ficava extremamente mais criativo, pois tinha relaxado jogando e descarregado todo acúmulo mental que tenho durante o dia.

Apenas para pontuar novamente, dois outros marcos extremamente significantes em minha vida foi eu começar a utilizar redes sociais e o surgimento do ifood. Pode até parecer besteira, mas moro em Franca, interior de São Paulo, e o iFood chegou em minha cidade faz menos de 2 anos e posso dizer que sofri uma transformação, positiva, significativa. Imagino que se alguém ler essa parte do texto pode pensar que estou inventando, ou forçando, mas vocês não imaginam o alívio que eu senti quando esse app me deu oportunidade de provar diferentes lanches e comidas que eu era louco para provar aqui na minha cidade, mas não tinha vontade alguma de ir presencialmente no restaurante, ou ter suportar pegar o telefone, ligar e ficar explicando que não quero nada com cebola, ou qualquer outra particularidade. Aliás, falar ao telefone está no mesmo nível de ódio que tenho da cebola.

Então, obrigado iFood, por existir, se eu tivesse mais $$ faria pedidos todos os dias, pra não precisar ir ao mercado, ou ter que ir em qualquer restaurante.

Voltando.

Desde que tenho minhas primeiras lembranças de eu sendo eu, nunca fui um cara fã de socializar. 98% dos eventos que fui, churrascos, festas (é bem raro, muito raro mesmo eu ir em alguma), nunca entendia como as pessoas conseguiam tolerar aquela situação. Muitas vezes com músicas altas, pessoas bêbadas divagando frases que não faziam sentido algum pra mim, se bem que, pode ser por isso que as pessoas suportam, enchem o cu de bebida, sua cabeça não funciona de forma normal, ai talvez fique mais fácil suportar, pode ser por isso que muitos que me conhecem sempre tentam me convencer a fumar maconha ou beber, sempre dizem que serei alguém mais legal se eu deixar de ser eu.

Definitivamente, não gosto de receber pessoas em casa, não gosto de ir na casa das pessoas, gosto de, primeiramente, ficar com minha filha, embora minha atual situação $$ esteja me deixando bem distante dela, mas é o que eu mais gosto de fazer, amo trabalhar e gosto de jogar. Pronto, falando das coisas que gosto, é basicamente isso, e comer, claro. Outras coisas que gosto é, ficar em silêncio, algo que sou muito bem, independente da situação, ambiente, sou ótimo em ficar em silêncio, pode ser por isso que durante meu período escolar muitas gurias gostavam de desabafar comigo a respeito de suas decepções, sejam em casa ou amorosas, sempre disseram que eu era bom em ouvir, mesmo eu não prestando atenção ou não conseguindo entender nem um terço do que estavam dizendo e respondendo apenas com “foda, né?”, ainda insistiam em desabafar comigo. Eu também amo minha misantropia, gosto de estar sozinho, ficar sozinho, ter o meu mundo só pra mim, e esse meu mundo é no meu lar, mesmo que mude de casa, cidade, país, o lugar que definir como lar, é como se fosse meu altar sagrado.

Por falar em coisas que gosto/não gosto, tenho uma dificuldade muito grande manter contato físico, na verdade tenho um ódio mortal quando encostam em mim, isso acontece até quando vou fazer a Amélie dormir, ela gosta que fique abraçado com ela, mas eu consigo ficar apenas um, talvez dois minutos, e toda vez tiro os braços de cima dela, quando ela ainda não caiu no sono ela ainda pede “pai, me abraça”, as vezes, quando ela dorme em minha cama, eu passo a noite toda ouvindo “pai, me abraça”, ou ela simplesmente vira pro meu lado, procura meu braço e puxa pra cima dela. Eu até gostaria de fazer da forma que ela se sente mais confortável, mas tem algo dentro de mim que me deixa incomodado em ter tanto contato físico, apesar de eu amar ganhar abraços espontâneos e beijinhos dela. Odeio também o fato de ser educado cumprimentar as pessoas apertando as mãos, ou dando abraços e o pior, ficando dando beijos no rosto de diversas pessoas que mal conheço, muitas que tenho zero de empatia, eu realmente não consigo entender essas convenções sociais, apesar de saber que existem, e muitas situações, ficar me cobrando para realizá-las, isso me incomoda muito. Gosto de chegar em um lugar onde as pessoas já estão sentadas a mesa, ou estão todos em uma única roda de conversa, ai eu só falo “oi gente” meio afastado abanando as mãos, quando posso fazer dessa forma, é um alívio absurdo.

Agora vamos ao título do texto, aliás, se você está lendo até aqui, provavelmente é porque é alguém que tem alguma consideração com a minha pessoa, ou porque o título chamou a atenção.

Sabendo que existe esses tipos de convenções sociais, e lendo bastante e sendo cobrado de que as pessoas valorizam esse tipo de comportamento (apertar as mãos, abraçar e tal), eu me cobrei por muito tempo, em muitas situações fazer isso para agrá-las, mesmo eu não fazendo questão disso e tudo isso consumindo muito da minha energia. Outra coisa que para muitos pode parecer uma grande besteira, mas o fato de eu chegar em um local com muitas pessoas que me conhecem e eu ficar me cobrando mentalmente de cumprimentar todo mundo, apertar as mãos, tentar ser o mínimo simpático, me deixa muito cansado, fisicamente e mentalmente, toda vez que volto de algum local assim, principalmente se tive que interagir em algum assunto, parece que eu trabalhei por uma semana sem parar, sem dormir, é o mesmo nível de cansaço, meu corpo fica exausto, meus ligamentos ficando doendo, dá dor abdominal, minha cabeça parece que vai explodir a qualquer momento.

Mas, como o mundo evolui, eu também muitas vezes me cobro uma melhora, ai é onde entram alguns livros como “O Corpo Fala”, “O poder do hábito”, “Como fazer amigos e influenciar pessoas” (esse por sua vez eu não consegui comprar por falta de $$, mas li diversos capítulos que achei pela internet). São livros que considero bem boring a leitura, mas eu li me convencendo de que eu precisava evoluir, ser alguém melhor.

Sempre me senti meio alien, e sempre foi um sentimento que me incomodou muito, até hoje não achei uma “tribo”, grupinho, ou ambiente que eu conseguia me sentir completo, ou que me sentisse bem, em todos eles me sinto deslocado, me sinto bem até começar um julgamento que odeio fazer, mas é meio automático e inconsciente, onde tento prestar atenção nas ações e comportamentos das pessoas e eu juro que não entendo porque elas fazem o que fazem e como muitas pessoas podem repetir as mesmas ações com pessoas tão diferentes em ambientes tão diferentes e se darem tão bem. Quando estou em casa, na minha bolha, eu me sinto leve, tenho a plena certeza de que é lá que eu pertenço, mas da calçada pra fora sempre foi uma selva onde preciso ficar o tempo todo alerta, ou igual aqueles efeitos de animação, quando tem uma criança no meio de uma roda de outra pessoas, e essa criança perde um pouco a saturação, os sons são desligados, a roda de pessoa ganha um grande desfoque e as pessoas começam a crescer em volta dele parecendo gigantes, é mais ou menos assim que me sinto 90% do tempo.

Em muitos momento da minha vida eu achava errado me sentir dessa forma, e sabia que me sentia assim por minha cupa mesmo, talvez por não fazer questão das pessoas, talvez por não considerar ninguém amigo de verdade, sei lá, mas em muitos momentos eu me culpei e tentei, me esforcei ao máximo para ser alguém melhor, pra ser alguém totalmente diferente de quem eu era. Pode ser que muitas vez, ou por algum tempo eu tenha conseguido, mas em meu íntimo, isso me machucava, doía de verdade.

Há duas semanas atrás, quando voltei a jogar CS, foi a fagulha que faltava para explodir e eu fazer uma reflexão, lembrar de como estava me sentindo, entender quem eu realmente sou e como devo me portar.

E o Rafael é assim, quieto, ama estar com a filha, apesar de, estes últimos tempos estar pecando nessa parte por falta de tempo, provinda da falta de $$, amo jogar, sempre preferi muito mais os animais aos humanos (minha família não inclui nessa frase) e isso não tem problema nenhum, e também amo meu trabalho. Gosto de estar sozinho, gosto de ficar em casa, iFOOD EU TE AMO, você mudou minha vida, enfim, após 33 anos eu comecei a me aceitar como realmente sou e não tentarei mudar por nada nem ninguém e esse foi um grande passo pra eu me sentir melhor, apesar de não demonstrar muita coisa pra ninguém, há duas semanas, me sinto alguém melhor.


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Rafa Gnomo

Legend

Meu nome é Rafael Mendes, tenho 31 anos, sou jornalista por formação e fotógrafo publicitário por profissão. Desde a minha infância sou apaixonado por tecnlogia, vídeo games e livros e foram esses três hobbies que moldaram a minha personalidade. Hoje tenho uma filha de 4 anos que virou personagem importante em minha vida e no site Nerd Pride, fazendo parte de diversos conteúdos que publico na categoria "Padawan".
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