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Assisti à O Homem de Aço na Terça. Cabine de Imprensa, pré-estreia exclusiva, que seria coroada com presença nas mesas de entrevista com Henry Cavill na semana seguinte – complicadamente canceladas. Aguardei ansiosamente pelo filme, e isso não me impediu de entrar cheia de preconceitos na sessão. Ainda assim, saí de lá com a melhor das impressões do mundo a respeito de tudo. Comecei a escrever algo a respeito no dia seguinte, quando estava de volta à minha cidade. Porém, por mais que eu tentasse, não estava conseguindo ficar satisfeita com a construção das minhas próprias opiniões. Precisei de alguns dias para consolidar minhas impressões acerca.

Dirigido por Zack Snyder (300), e produzido por Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas Ressurge), Deborah Snyder (Sucker Punch) e Emma Thomas (A Origem), O Homem de Aço talvez seja um dos filmes que mais expectativas gerou para 2013, ao lado de “O Hobbit” e “Into Darkness Star Trek”. A tentativa de trazer de volta às telas a muito conhecida história do maior herói de todos os tempos esbarraria na necessidade de reinventar um personagem que cunhou e consolidou a maioria dos grandes clichês heroicos existentes, esbarrando nas exigências sem fim dos fãs de quadrinhos.

MAN OF STEEL

A crise de identidade sempre foi um dos pontos mais discutidos na história do Superman – interpretado por Henry Cavill (The Tudors). Nascido kryptoniano, criado humano, mesmo sendo super-humano, sob o peso de sentir-se responsável pela humanidade e, ao mesmo tempo, parte inerente dela. Um resgate maduro e aprofundado de quais poderiam ser as origens do herói constroem uma jornada com várias camadas emocionais. Porém, como é típico das adaptações de quadrinhos, acaba se perdendo, em alguns momentos, entre o explicar-se demais e o explicar-se de menos.

MAN OF STEEL

A história se inicia, classicamente, em Krypton, no momento da ruína do planeta, que leva o casal Jor-El (Russel Crowe) e Lara Lor-Van (Ayelet Zurer) a dolorosamente enviar seu filho recém-nascido numa nave a Terra, para que possa ser salvo. A construção de Krypton é magnífica, e funciona como um primeiro elemento de imersão na história. O General Dru-Zod (Michael Shannon), principal antagonista, é já apresentado como a figura do vilão de moral relativista, que acredita em sua causa e em suas atitudes.

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Corta-se da destruição de Krypton à um Clark adulto, numa jornada de autoconhecimento pelo planeta. Detalhes de sua infância e adolescência são mostrados em flashbacks, resgatando a simplicidade de sua criação, ainda que, de simples, pouco houvesse em sua vida. Os questionamentos de um pequeno Clark entendendo a extensão de seus poderes e tentando se esconder do mundo, enquanto lida com as dificuldades que as pessoas minimamente diferentes enfrentam ao tentar se aceitar constroem um drama que se reflete bem na atuação de Cavill como adulto – e em cenas de fim de adolescência. Fica clara a intenção de fazer o homem maior que o super-homem na maioria das vezes em que os lados entram em embate, prendendo a audiência ao drama. O trabalho de Kevin Costner e Diane Lane como Jonathan e Martha Kent é forte enquanto criador de uma identificação com aquilo de mais interior que há no Super-Homem, que pode acabar sumindo a partir do momento em que ele veste seu traje azul e vermelho.

Man of Steel

O rapaz poderoso criado no Kansas não consegue andar pelo mundo sem deixar rastros, que começam a ser seguidos por Lois Lane, o grande estereótipo da jornalista independente, de carreira sólida e ímpeto investigativo. Apesar da forte atuação de Amy Adams, a personagem não escapa de estar metida nas situações mais inexplicáveis e nonsense do filme. Tenta-se colocá-la como uma figura feminina forte o suficiente para se contrapor à Faora-Ul (Antje Traue), mas sua presença nas principais cenas de ação parece sempre forçada. Sua investigação, apesar de consideravelmente bem construída na história, acaba tirando o charme da relação de identidade secreta entre Lois, Clark e Superman tão conhecida nos quadrinhos.

Man of Steel

Todo o filme é carregado de cenas que pareceriam, à primeira vista, clichês; falas quase fracas de tão tendenciosas e moralistas, a maioria ditas pelo próprio herói, que fazem com que ele perca um pouco de brilho às vezes, e o foco da história pareça ser mais interessante caso esteja em Zod, ou na noção geral de heroísmo, ao invés de no Super-Homem. No entanto, esbarrando naquela mesma questão dos clichês consolidados por sua história, torna-se quase impossível fugir de tais situações. A atuação de Henry Cavill é visualmente impactante, pelo seu porte magnífico, e constrói bem seu personagem mesmo (e especialmente) em silêncio. Sua expressão é quase sempre séria e preocupada – o tom do filme é bastante sombrio em vários momentos, e desesperançoso. Porém, seus primeiros ensaios de voo, que vão dos saltos à altura de arranha-céus à quebra da barreira do som, criam uma das cenas mais contemplativas e positivamente emocionantes do filme. As várias camadas emocionais vêm de momentos principais, bem como de pequenos nichos da história – como uma situação especial envolvendo jornalistas do Planeta Diário num dos pontos máximos de desolação da história, muito bem construída e interpretada.

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O principal conflito que amarra o filme, entre Kal-El e Dru-Zod – entre o Krypton destruído e o futuro vislumbrado e defendido por Jor-El até o fim – também cai em algumas questões previsíveis. Apesar das soluções de enredo interessantes e bem impressionantes, desde o começo sabe-se quais são as únicas possibilidades de conclusão de um embate entre dois quase deuses, cada qual defendendo a causa que julga mais correta que do outro. Este seria talvez o principal foco para polêmicas de enredo. É senso consolidado de que Superman não luta contra o Mal, contra ameaças, mas a favor da Humanidade, da Liberdade e da Justiça. A conclusão da ação apoia-se em ideias pouco desenvolvidas e evidenciadas durante o filme, mas que podem fazer sentido ao conhecedor. O que salva a conclusão é a excelente condução da ação (que me deixou sapateando e roendo unhas) e a atuação de Cavill, que explicita e escancara tudo aquilo que o Superman dos quadrinhos sentiria em tal situação. A atuação de Michael Shannon como Zod também é valiosíssima na construção da tensão. Suas falas são, em vários momentos, as melhor construídas.

MAN OF STEEL

O filme é, no geral, um resgate aprofundado das características que fazem do Superman o herói que ele é – um alien criado no Kansas, caipira, sempre envolvido em conflitos morais, aprendendo a carregar um grande peso sobre os ombros. Um peregrino em terra estranha. Um dos grandes triunfos do longa é haver conseguido equilibrar a ação e o drama psicológico por trás – o público se espanta, se emociona, se identifica e coloca-se nas situações vividas. Hoje, quatro dias depois de tê-lo assistido, a primeira impressão fortíssima se mantém. Ainda que várias das primeiras ideias e conclusões tenham se modificado conforme eram reanalisadas, as expectativas que fixei para o filme foram majoritariamente satisfeitas.

MAN OF STEEL

Agora, se considerarmos que “O Homem de Aço” foi uma boa resposta da DC à Marvel, poderia o sucesso deste adiantar os planos para o filme da Liga, cada vez mais adiado? Apesar do potencial acumulado nessa experiência, ainda há algum caminho pela frente até que tenhamos um Superman encorpado o bastante para assumir seu papel na JLA nos cinemas. Talvez a sequência (já planejada para 2014/2015) seja o bastante para tal (à exemplo do que ocorreu com Homem de Ferro). Esperar que o herói seja reinventado para o cinema mais uma vez – como se acredita que será feito com Batman, em 2017 – poderia ser um desperdício de potencial.

(A verdade é que eu só quero ter a chance de assistir a um filme da Liga antes de ter idade o bastante pra que leve meus filhos comigo)

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