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O segredo do pensamento humano, esse subtítulo, foi o que me chamou a atenção para o recente título publicado pela Editora Aleph, “Como Criar uma Mente”. De autoria de Raymond Kurzweil, futurista, inventor e atual diretor de engenharia do Google, o livro propõe uma leitura sobre os recentes avanços e pesquisas no campo da neurociência e como o cérebro, poderia ser codificado de “dentro para fora” em busca de melhor compreendê-lo e até mesmo recriá-lo artificialmente.

Em seu sexto livro, Ray Kurzweil expande e explora temas e assuntos que já foram abordados em seus outros trabalhos. Em A Era das Máquinas Espirituais (também publicado pela Aleph), o foco era a união da inteligência artificial com a sensibilidade humana e em The Singularity is Near (em tradução livre, A singularidade está próxima), o autor aborda sobre um evento chamado “a singularidade”, uma etapa tecnológica em que corpos e cérebros seriam fundidos com máquinas, criando seres híbridos e de que forma seria essa nova (e distante?) realidade.  

Ray já acumula mais de 20 anos, de estudos e pesquisas em torno de tecnologias e áreas relacionadas ao cérebro e suas funcionalidades cognitivas. Logo nos capítulos inicias de Como criar uma Mente, ele pontua:

o cérebro é o computador mais poderoso que existe.

Como Criar Uma Mente

Apontada durante a leitura, como uma das principais funções do cérebro humano, o reconhecimento de padrões entende-se como a capacidade do nosso cérebro em aprender por meios de etapas, organizando o conhecimento de forma hierárquica e sempre buscando assimilar uma nova informação com algo para uma melhor compreensão. O conceito de ideia advém dessa formulação. Ray afirma que os neurônios estão em um padrão, em uma ordem também geneticamente pré-estabelecida e que incrivelmente esse arranjo, só atesta a complexidade do cérebro humano como uma das maiores criações da natureza. Essa é uma aptidão única aos Homo Sapiens.

Por uma necessidade inerente ao homem no decorrer das eras, desenvolvemos um neocórtex – região do cérebro responsável pelo pensamento crítico, memória e pela percepção – sofisticado e com uma base de conhecimento em constante expansão e que nos permite repassar essas características de uma geração para outra. A primeira invenção do homem (entenda do cérebro) foi a linguagem falada, a segunda foi a linguagem escrita, depois pequenos objetos rudimentares e assim em diante como está bem explicitado na frase de Joel Havemann, jornalista portador da síndrome de Parkinson:

“O que parece espantoso é que um mero objeto com pouco mais de um quilo e trezentos gramas, feito dos mesmos átomos que constituem tudo o mais que há sob o Sol, seja capaz de dirigir praticamente tudo aquilo que os humanos fizeram: voar à Lua e rebater setenta home runs, escrever Hamlet e construir o Taj Mahal – e até desvendar os segredos do próprio cérebro.” 

Brain Art

É bem verdade que há momentos que o autor fica preso em especificações técnicas, que para um leigo como sou, pareceu distanciar um pouco da linha apresentada como narrativa, porém, nos capítulos onde o mesmo detalha sobre como seria a construção e desenvolvimento de um cérebro artificial, e de que forma, ele poderia replicar os processos e funcionalidades do (cérebro) biológico é um ponto de destaque fascinante no livro. Outras conjecturas feitas pelo autor detalham que a experiência consciente de nossas percepções é alterada por nossas interpretações. Supondo que vemos aquilo que esperamos, isso implica que estamos constantemente prevendo o futuro e levantando hipóteses sobre aquilo que vamos experimentar. Essa expectativa influencia aquilo que vemos de fato.

Ray chega a afirmar que há certa simplicidade nessa teoria/proposta de engenharia reversa do cérebro humano, porém é franco o suficiente para assumir que existem características particulares ao cérebro biológico, que até o momento, o artificial não seria capaz de compreender. Como curiosamente a ironia!? Ele exemplifica por exemplo, que a assombrosa inteligência artificial da IBM (o Watson), teria dificuldade de distinguir frases (ou perguntas) em tons de ironia. Isso sem falar na empatia, na autoconsciência e na tão famigerada inteligência emocional.

Como criar uma mente entrega uma leitura edificante e informativa. O livro examina como a inteligência e o aprendizado, da maior máquina que possuímos está ligada aos recentes avanços das tecnologias e até que ponto, uma intersecção entre ambos (cérebro x máquina) nos seria benéfica (ou não) e o que poderíamos fazer com essa nova inteligência/tecnologia?

Ray Kurzweil
Ray Kurzweil

Ficha Técnica:

Como Criar Uma Mente – Os segredos do pensamento humano
Tradução: Marcello Borges
Ano: 2014
Número de páginas: 400
Acabamento: Brochura
Formato: 16x23cm

Para desenvolver mais a leitura:

  • O cérebro humano possui uma capacidade de cerca de 1.026 cálculos por segundo.
  • Ray já afirmou que em 2029 a inteligência artificial terá recursos suficientes capaz de superar a inteligência humana. E em que em 2045, o homem seria capaz de ser ‘imortal’.
  • Em 2009, Ray escreveu um ensaio confrontando a realização de todas as suas previsões e segundo o próprio, das 147 previsões, 86% delas estavam corretas.
  • Assista (em inglês) a da participação do autor no TEDTalks.

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Leandro de Matos

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