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Livros absolutamente distintos entre si, mas interessantes e dinâmicos em igual proporção. Como chegamos até aqui e Epigenética, títulos publicados no primeiro semestre no Brasil pela editora Zahar, são exemplos claro, que livros de cunho científicos podem sim, ser fáceis, didáticos e envolventes.

EPIGENÉTICA

Propondo uma leitura sobre uma nova área que trata dos genes e sobre hereditariedade, Epigenética, de Richard C. Francis, doutor em comportamento e neurobiologia é uma leitura pontual, ora técnica demais, mas compensadora como um todo.
Epigenetica
Características e atributos físicos são repassados de pais para filhos, no exato momento em que o zigoto começa sua exponencial divisão. Isso é um dos conceitos básicos que envolvem hereditariedade e genética que já bem sabemos. O que a leitura do título traz de novo é abordar determinados aspectos, já pontuados em revistas e em parcos livros que transitam dentro da temática, sobre o quanto e como fatores externos tais como ambiente, alimentação, hábitos e entre outros, podem influenciar a formação de determinado ser-vivo.
Human DNA
A leitura é direcionada para leigos, mas por vezes derrapa por ser técnica demais em certos aspectos. Nada que prejudique a leitura ou a compreensão em geral, mas que apenas desvia a fluência da leitura.
A proposta é interessantíssima. Os genes não determinam nosso destino. Digo isso, não no sentido filosófico, mas na concepção física, estrutural do homem. James Watson e Francis Crick entraram para a História quando anunciaram a estrutura do DNA – a famosa dupla hélice – para o meio científico. “O livro da vida” ou “o segredo da vida” como foi taxada, escondia ainda algumas surpresas e polemicas. Hoje, mais de 60 anos depois da descoberta, o marco da dupla de cientistas ainda fascina e intriga.
Dentro desse contexto então, surge o questionamento: O que define o homem? O DNA ou a criação?
Essa é a pergunta motriz do livro. Descrever e detalhar sobre o quanto somos suscetíveis a fatores externos, psicológicos e até mesmo sociais; onde geneticamente falando, somos mais que dois pares ambulantes de 23 cromossomos.geneticaWordCloudSmall
Um exemplo que distingue bem essa contenda é o caso de gêmeos. Quando criados separados, fica claro separar o que “vem dos genes e o que vem da criação”. Estudos já apontam que preferências, comportamentos e estresse, por exemplo, podem vir no pacote do DNA. Cientistas envolvidos com o campo da epigenética mostram que, alguns genes e determinados tipos de ambientes, ora trabalham em conjunto, ora como opostos para definir o desenvolvimento de um indivíduo.
O alfabeto do DNA vai muito além, do que apenas A (denina), G (uanina), C (citosina), T (imina).
O segredo da vida é complicado, mas ela segue seu curso de forma inexorável, mas tão importante quanto, é descobrir…

 

COMO CHEGAMOS ATÉ AQUI

Incrível. Este é o primeiro adjetivo a ser usado para definir a leitura desse título.
Fácil, envolvente e extremamente interessante, Como chegamos até aqui não tem público alvo. Sua leitura é livre e seu alcance é amplo. Seja minimamente curioso que estará garantida à satisfação ao término de cada capítulo.
 ComoChegamosAteAqui
A premissa é simples. Apresentar de forma clara, como determinadas invenções e descobertas foram imprescindíveis para o que temos e o modo em que vivemos hoje em dia.
Através de uma sequencia narrativa, o escritor americano Steven Johnson, edifica uma leitura agradável e cadenciada, onde cada invento ou descoberta, desencadeou uma outra e por sua vez outra, e mais uma, até terminar em algo obviamente atual e tecnológico.

200

O aspecto da leitura de Como chegamos até aqui é como se lêssemos uma extensa reportagem. Prática, informativa e funcional. Sem floreios ou divagações desnecessárias a proposta e objetivo do mesmo. A revista Superinteressante possui um espaço que ilustra justamente a mecânica do livro: apresentar conexões curiosas entre assuntos, feitos, fatos e atos diversos.
Por exemplo, como Frederic Tudor começou a vender gelo para países tropicais no século XIX implicou na criação de geladeiras e ares-condicionados. Como fundamentos básicos de higiene foram determinantes para avanços médicos e mais surpreendentemente, na moda. Essa cadeia de eventos, aparentemente desconexa é o efeito beija-flor, termo criado pelo autor para exemplificar esse tipo de situações. Ideias diferentes, construções coletivas se interseccionam em algo novo e original.
Autor de nove livros – seis deles editados no Brasil pela editora Zahar – Johnson vai do som ao vidro para nos apresentar as curiosidades, as implicações e os efeitos destes no desenvolvimento do homem. No livro, autor recria os caminhos dos objetos que nos servem e que nos são uteis. De amadores a inventores, que importa no título são as inovações e todo o seu contexto histórico e até social.

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O livro é na verdade fruto de um documentário em seis capítulos da BBC e PBS (e inédita no Brasil) chamada, How We Got to Now.
O livro segue a mesma estrutura e apresentação da série: Vidro, frio, som, higiene, tempo e luz. Cada um com sua trajetória e resultado final.

 

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Como chegamos até aqui e Epigenética são distintos em conteúdo, mas semelhantes em suas respectivas propostas; unir inovação a um relato com tons biográficos, resultando em uma leitura plena e agradavelmente estimulante.

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Leandro de Matos

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