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Cientista. Astrofísico. Escritor. Pai e acima de tudo, humano.
Faltariam adjetivos para elencar a imagem e o brilhantismo da figura de Stephen Hawking. Muito antes do hype do Ice Bucket Challenge, Hawking aos 21 anos, ele já apresentava os primeiros sinais da ELA (esclerose lateral amiotrófica), uma degeneração que progressivamente míngua a capacidade cerebral ligada à sensação nervosa e ao movimento, mas que espantosamente, ainda permite e mantém o perfeito funcionamento cognitivo.
Hawking nasceu em 8 de Janeiro de 1942, exatamente 300 anos depois da morte de Galileu. Durante 30 anos, Hawking foi professor lucasiano de Matemática da Universidade de Cambridge, deixando o posto em 2009, por atingir o tempo máximo para ocupação do cargo. Interessante apontar que esta cátedra, já pertenceu a Isaac Newton. Hoje, já um físico consagrado e com reconhecimento mundial, ainda continua desenvolvendo e aprimorando suas teorias e segue publicando estudos e artigos e ainda lhe sobra tempo para participar de séries, documentários e animações.
Autor de inúmeros teoremas e teorias, Hawking ficou conhecido no mundo cientifico ao propor uma singularidade que convergia no tempo-espaço, um trabalho que comprovou e foi além sobre a relatividade geral de Einstein, que por sua vez, é uma expansão da Teoria da Gravitação de Newton. Outra grande descoberta sua, foi a radiação Hawking, termo cravado pela comprovação de que buracos negros emitiam raios x e gama, tudo isso ainda nos anos 70, quando os aparelhos e métodos para suposição e medição desses argumentos teóricos eram escassos e precários.
Com uma voz inconfundível, um bom humor presente e um carisma natural, Hawking atualmente com 73 anos, continua sendo produtivo e com a experiência adquirida ao longo dos anos, se permite contestar suas teorias e concepções definidas (até então) como imutáveis. Ano passado, Hawking chegou a afirmar que o conceito de buracos negros poderia estar errado. Formulando uma nova proposta sobre o efeito cósmico que surpreende e impressiona a  todos que são curiosos e sentem interesse nessa ciência. Segundo o cientista, na teoria clássica “nada escapa de um buraco negro. Mas na teoria quântica, energia e informação podem escapar”.
Prova de toda a sua importância para o conhecimento cientifico, à cultura pop e a humanidade como um todo, são duas mídias que retratam de formas particulares e específicas a vida de um dos maiores cientistas de todos os tempos.

A TEORIA DE TUDO – LIVRO 

Capa do livro,A Teoria de Tudo.
Capa do livro, A Teoria de Tudo.
Quem já leu algum título que trata sobre a vida de Stephen Hawking, não encontrará muita novidade. Porém, o grande destaque para A Teoria de Tudo, livro escrito pela ex-esposa do físico, Jane Hawking (que curiosamente, ainda mantém o sobrenome do cientista, mesmo passado mais de 20 anos da separação), é apresentar um Hawking, como homem, pai e principalmente, como ser humano.
De um ponto de vista privilegiado, Jane tece uma narrativa sensível e factual. Ponderando seu relato entre o homem e o mito, entre as descobertas do cientista e o cotidiano da família e do casal. Antes de esposa, Jane foi amiga de Hawking na época da faculdade e logo após o casamento, se tornou também enfermeira do marido que começava a apresentar os sinais mais graves da doença, além de se desdobrar também como mãe e mulher para manter a estrutura domiciliar de uma família com três filhos. Hawking era teimoso e demorou em aceitar ajuda externa para a sua situação, que afetava não só a ele, mas a família de ambos. Um triste adendo é que atualmente, Hawking perdeu até os movimentos dos únicos três dedos que ainda tinha controle.
Durante a leitura do livro, Jane faz um apontamento interessante sobre a composição de um casamento. A ex-esposa comenta sobre a unidade da instituição, que em sua grande maioria é composta por dois indivíduos, mas que para a realidade deles à época, outros elementos fizeram parte da complexa história do casal. Um deles era a ELA (a esclerose), que tomava muito esforço físico e financeiro da família (e de Jane, por consequência) e a Física, talvez o grande e verdadeiro amor de Hawking. Seus medos e receios ganham voz no livro para formar a figura de um esposo ausente, que se dedicava cada vez mais à ciência e a carreira de físico famoso, enquanto Jane seria como uma sombra diante da genialidade do marido.
Mais presentes no livro do que no filme, a oposição entre fé e ciência, é um embate recorrente na vida do casal. Onde um marido incrédulo não reconhece a existência (e a necessidade de Deus), para formular e concluir suas teorias e uma esposa resignada, que persevera na realidade da vida que escolheu e aceitou quase como uma prova (divina) de fé.
“… Eu estava convencida que tinha de haver mais no céu e na terra do que havia na fria e impessoal filosofia de Stephen. Embora nessa fase eu me sentisse completamente enfeitiçada, atraída por seus olhos claros cinza-azulados e pelo largo sorriso de covinhas, resisti a seu ateísmo. Por instinto, eu sabia que não poderia me permitir sucumbir a essa influência negativa; que não poderia oferecer consolo nem conforto e esperança para a condição humana. O que o ateísmo faria seria destruir a nós dois. Eu precisava agarrar-me a qualquer fio de esperança que pudesse encontrar e manter a fé suficiente por nós dois se houvesse algo de bom em nossa triste condição.”
Dizem que por trás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher, verdadeiro ou não, para Hawking, Jane fez jus a esse ditado.
O livro A Teoria de Tudo: A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking foi publicado no Brasil pela Editora Única.

A TEORIA DE TUDO – FILME 

Antes de tudo é preciso deixar claro, que A Teoria de Tudo não é um filme biográfico sobre Stephen Hawking. Na verdade, a película apresenta de forma implícita em seus 123 minutos, expor uma história de amor, que apesar de inúmeros percalços e dificuldades inerentes não só à vida a dos dois, mas a qualquer casal que pretende viver uma relação, Jane e Hawking viveram plenos e felizes até onde as circunstâncias permitiram.
Stephen Hawking e Jane Wilde
Stephen Hawking e Jane Wilde
Pontos importantes da biografia de Hawking, e seus feitos como cientista estão presentes no filme apenas para ilustrar o feito dele como um indivíduo vanguardista e visionário, mas durante a película existe uma sensação de pressa em apresentar de tudo um pouco. Um roteiro apressado e um pouco superficial em não explorar todo o potencial dramático de determinadas e importantes cenas. Stephen vai de um ex-adolescente enamorado, para um cientista abatido com o peso da síndrome que carrega, tudo isso antes de finalizar o primeiro ato do filme. Isso sem falar que o apresenta como ser humano sem qualquer falha de caráter, um “santo” praticamente.
Como já disse anteriormente, o filme é sobre a vida do casal, mas a película pertence a Eddie Redmayne. Indicado pela primeira vez ao Oscar, Eddie já levou pra casa o Globo de Ouro e um SAG, dentre outros prêmios pela atuação impressionante de Hawking. Ainda falando em prêmios, A Teoria de Tudo até o momento já ganhou 18 prêmios de 83 nominações! É soberbo perceber detalhes da interpretação do ator, além de nuances e particularidades do cientista que Eddie teve o zelo em apropriar para construção do seu personagem. Em entrevista o ator comentou que recebê-lo no set de filmagens foi algo irreal e ao mesmo tempo, intimidador. Eddie lembra que enquanto rodavam a cena do Baile de Maio, ele e Felicity Jones (atriz que interpreta Jane Hawking e que também foi indicada ao Oscar para melhor atriz) perceberam que os verdadeiros Stephen e Jane estavam de longe observando a gravação.

Eddie Redmayne e Stephen Hawking no set de filmagens.
Eddie Redmayne e Stephen Hawking no set de filmagens.
O filme derrapa em não explorar, ou ao menos melhor contextualizar o ateísmo de Hawking, os desejos extraconjugais (de ambos) e os conflitos de qualquer casal. Deixando tudo como uma fábula, uma historieta sobre a importância e a força do amor. Pensei até que o diretor, James Marsh poderia dar um outro final, que não fosse a verdadeira, tamanha a impressão de contar uma história de amor perfeita.
Da parte técnica, locação, trilha, figurino e fotografia estão belíssimas, principalmente esta última que alterna entre o natural com tons claros no início do filme, quando Stephen e Jane estão se conhecendo, ao cinza, quando o diagnóstico da doença se faz presente. Tom esse que permanece em boa parte do filme, como um lembrete, um sinal de uma luta constante, entre uma mente brilhante e um corpo limitado.
A Teoria de Tudo concorre em cinco categorias ao Oscar, incluindo o de melhor filme e estreia hoje nos cinemas brasileiros.
Stephen Hawking em um voo que simulava a gravidade zero.
Hawking em um voo que simulava a gravidade zero.
★ Em 2004, a BBC lançou um filme diretamente para a TV, intitulado A História de Stephen Hawking com Benedict Cumberbatch no papel principal.
Minha Breve História é uma breve biografia escrita pelo próprio astrofísico.

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Leandro de Matos

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