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Desde meados dos anos 2000, os vampiros voltaram a ficar em voga. Isso é um fato. Com o superestimado sucesso de um triângulo amoroso entre raças e consequentemente, seus mais variados derivados para a TV e o cinema, essa onda ao menos teve um lado positivo, serviu como um estopim para uma redescoberta do que há de melhor nessa área.
Com narrativa de qualidade e estética lírica em sua prosa, a Rainha dos Vampiros, Anne Rice já subvertia o conceito de vampiro logo em seu primeiro romance. Entrevista com o Vampiro foi publicado em 1976 e de lá para cá, ainda provoca e causa sensações que nem a metade destes mais recentes conseguiram e ainda hoje, segue como uma referência, algo como um: A.A.R. (Antes de Anne Rice) e D.A.R. (Depois de Anne Rice).
Aberto a inúmeras sequências e interpretações, o romance de Anne Rice é um clássico moderno sobre vampiros. Assim como o romance epistolar Drácula, do irlandês Bram Stoker definiu e inseriu o vampiro na literatura no século XIX, Entrevista com o Vampiro está para o século XX como um cânone nesse quesito. Apresentando uma nova faceta dos seres que inicialmente nas lendas e folclores que os originaram sempre foram associados a monstros e criaturas horrendas. Os vampiros de Anne possuem “alma” e sentimentos, e estão constantemente ponderando suas existências e propósitos como seres quase infinitos.
Eis que então, a Editora Rocco publica um título que se estabelece como uma prévia para o tão aguardado Príncipe Lestat, um título que é um passeio visual sobre a história da personagem Cláudia, vampira presente (e inesquecível) em Entrevista com o Vampiro.
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Entrevista com o vampiro: A História de Claudia é uma graphic novel visualmente linda e originalmente soberba. Com artes delicadas e precisas em tons de sépia, a novata ilustradora Ashley Marie Witter teve a incumbência de transpor para a nona arte todo o requinte e o luxo dos vampiros de Nova Orleans do século XVIII e principalmente, todo o desejo e a luxuria, características sempre tão presentes nas obras de Anne.
O resultado? Uma edição belíssima que foi devidamente tratada como tal aqui no Brasil. A nossa edição saiu em acabamento de luxo, capa dura, titulação em letras douradas e em papel couché.

“Talvez amor fosse de fato uma sombra pálida do ato de matar…”

Com uma arte expressiva, Ashley acerta a narrativa com quadros belíssimos e completos em detalhes e sutileza. Um detalhe na obra é que praticamente não há cores além do já citado e conhecido envelhecimento do tom em sépia, na verdade, a única cor presente e vibrante nas artes é o rubro do sangue das vítimas. Aliás, um contraste interessante e preciso na edição.
Sob e com os olhos da criança-vampira Cláudia, vamos conhecendo um pouco mais sobre o que aconteceu durante e depois da sua criação como vampira. Uma personagem forte que sempre mereceu mais destaque nas Crônicas Vampirescas.

“… Isso é a morte… não passaremos por isso. Nossos corpos permaneceram sempre assim viçosos e vivos. Mas jamais devemos hesitar em provocar a morte… por que é assim que vivemos.”
Em A História de Cláudia, fica claro a personalidade e o conflito interno da personagem. Seus desejos, medos e sonhos são melhores explorados, afinal, dessa vez é a voz dela que nos guia pelo enredo e sua perspectiva nos traz para mais perto da sua essência. Diferente de Louis e toda sua passividade e complacência, Claudia é voraz, astuta e mesmo sendo transformada fisicamente aos 6 anos, se permite “envelhecer” como qualquer pessoa e se torna uma mulher em toda a sua complexidade, só que presa em um corpo diminuto.
Outro destaque dessa graphic novel, é expressar em ótimas ilustrações um panorama do que ficou subentendido no romance de origem e também de se apropriar de certas passagens de outros livros das Crônicas para melhor compor e construir a persona de Cláudia durante as 224 páginas que compõe o título.
Ao fim da leitura fica a sensação do quanto seria diferente o primeiro romance de Anne Rice, sob a perspectiva de Cláudia, pois, dos dois pais que teve de criação, Cláudia tem muito mais de Lestat do que ela mesmo sequer teria coragem de assumir.
A História de Cláudia é um romance gráfico obrigatório para os fãs (órfãos e famintos) de novidade do universo vampiresco de Anne Rice.
Exuberante, fiel, lírico.

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Leandro de Matos

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