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Durante a matemática da vida, seguimos somando e subtraindo amigos. Próximos ou distantes, amizades são laços, fios que vão crescendo e solidificando-se com o compartilhamento de momentos (alegres ou tristes), confidências, segredos e sonhos. Dizem, que se uma amizade ultrapassar sete anos é muito provável que perdure por toda a vida. Curioso, é que por vezes, já me questionei sobre como uma amizade pode durar por tanto tempo? Seria a admiração e o respeito pela outra pessoa? Preferências de todas as formas em comum entre ambos? Ou seria, na verdade pelo espelho que projetamos nessa pessoa, ao identificarmos algo que (intimamente) possuímos?
festa
A festa da insignificância do escritor tcheco Milan Kundera, tem como pano de fundo da sua narrativa os anseios, desejos e medos de quatro amigos na Paris dos dias de hoje. O autor consegue verter de uma miscelânea sobre Stalin e seus compatriotas comunistas, um câncer, umbigos e toda a sorte de ironia criativa do autor, em uma prosa agradável e reflexiva em pouco mais de 130 páginas.
Pautado pelo banal e mundano, o primeiro romance inédito de Kundera, após um hiato de 14 anos, soa provocativo, despretensioso e por vezes, (in)significante. Publicado no Brasil, pela Companhia das Letras, em uma edição cuidadosa, o título possui tradução da veterana, Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca. O romance está dividido em sete partes com capítulos curtos, se estabelecendo como uma ode à (in)significância da vida, ao (f)útil do cotidiano e à ironia dos encontros e desencontros entre amigos.
Relatando cenas prosaicas do cotidiano desses personagens, Kundera vai tecendo um retrato fragmentado destes. Um retrato formado por Ramon, Alain, Charles e Calibã. Adicionando mais um elemento (mais um amigo – D’Ardelo – na narrativa), o autor propõe uma leitura aberta e livre de preconcepções que segue inserida entre a filosofia e a sólida literatura.
Um enredo que no Jardim de Luxemburgo e pelas ruas de Paris, vai aos contando sobre a divagação (e substituição) erótica que determinado personagem faz, ao trocar as coxas e os seios das mulheres, por um símbolo nada usual do corpo feminino. O umbigo. Outro segue relatando sobre as trivialidades da própria existência. Um terceiro assume outra nacionalidade buscando se tornar interessante e concretizar uma paixão platônica. Um quarto é acometido de um (falso) câncer, onde o pronunciamento dessa sentença se faz ocasião, para a reunião dos demais. Esta sendo a verdadeira festa da insignificância que encerra o livro.

“A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém quer vê-la: nos horrores, nas lutas sangrentas, nas piores desgraças. Isso exige muitas vezes coragem para reconhecê-la em condições tão dramáticas e para chamá-la pelo nome. Mas não se trata apenas de reconhecê-la, é preciso amar a insignificância, é preciso aprender a amá-la. Aqui, neste parte, diante de nós, olhe, meu amigo, ela está presente com toda a sua evidência, com toda a sua inocência, com toda a sua beleza. Sim, sua beleza.” 

Elegante, leve, lírico e complexo.
A (in) significância também é encontrada ao fim do livro e no sentimento que o mesmo proporciona ao leitor. Um fim abrupto, mas íntimo e contemplativo. Aberto a interpretações e associações. Cabe ao leitor encontrar a sua (in) significância.
Milan Kundera
Ficha Técnica
Título original: La fête de l’insignifiance
Tradução: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca
Páginas: 136
Formato: 14 x 21cm
Acabamento: Capa dura
Editora: Companhia das Letras

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Leandro de Matos

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