Lançado em 1º de março de 2013, The Living Infinite ocupa um lugar especial na discografia do Soilwork. Nono álbum de estúdio da banda sueca, o trabalho chegou cercado por uma mudança importante: a saída do guitarrista, fundador e compositor Peter Wichers, que deixou o grupo novamente em 2012.
No lugar de Wichers, entrou David Andersson, e a mudança poderia ter colocado em dúvida o futuro criativo da banda. Afinal, substituir um dos principais responsáveis pela identidade musical de um grupo nunca é uma tarefa simples.
O resultado, porém, foi praticamente o oposto do que muitos poderiam esperar.
Em vez de perder força, o Soilwork apresentou um de seus trabalhos mais ambiciosos. The Living Infinite se tornou o primeiro e, até hoje, único álbum duplo de estúdio da banda, reunindo 20 músicas em uma experiência que ultrapassa a marca de 80 minutos.
E o mais impressionante é que o disco não parece inflado.
Existe peso, velocidade, melodia, agressividade, técnica e momentos mais atmosféricos em praticamente toda a sua duração. Para uma banda de death metal melódico, manter esse equilíbrio durante dois discos inteiros era um desafio enorme.
O Soilwork conseguiu.
Um álbum duplo que não parece exagerado
Álbuns duplos sempre carregam um risco.
Quando uma banda decide colocar 20 músicas em um único lançamento, é natural imaginar que algumas faixas poderiam funcionar apenas como preenchimento. No caso de The Living Infinite, entretanto, essa sensação praticamente desaparece.
O álbum funciona como uma grande viagem pela própria identidade do Soilwork.
A banda consegue reunir elementos que já faziam parte de sua trajetória e combiná-los com uma abordagem mais moderna. Os riffs agressivos convivem com melodias cuidadosamente construídas, enquanto os vocais alternam brutalidade e passagens limpas.
Essa variedade é justamente um dos maiores trunfos do disco.
Em vez de apostar na mesma fórmula durante quase 90 minutos, o Soilwork trabalha com diferentes velocidades, atmosferas e estruturas. O resultado é um álbum extenso, mas surpreendentemente dinâmico.
A chegada de David Andersson não diminuiu a qualidade
A saída de Peter Wichers poderia ter sido um golpe significativo.
Wichers era uma figura fundamental dentro do Soilwork e participou diretamente da construção da identidade musical da banda. Sua segunda saída, em 2012, levantou naturalmente dúvidas sobre os próximos passos do grupo.
Foi nesse cenário que David Andersson assumiu uma das guitarras.
E The Living Infinite rapidamente mostrou que o Soilwork ainda tinha muito a oferecer.
A dupla formada por Andersson e Sylvain Coudret entrega guitarras que transitam entre riffs pesados, melodias marcantes e solos tecnicamente elaborados.
Não existe a sensação de que a banda esteja simplesmente tentando repetir o passado.
Pelo contrário: existe uma clara vontade de avançar.
É justamente essa combinação entre experiência e renovação que faz o álbum continuar relevante tantos anos depois de seu lançamento.
A mistura de peso, velocidade e melodia
Se existe uma característica capaz de resumir The Living Infinite, ela é o equilíbrio.
O Soilwork nunca precisou escolher entre agressividade e melodia. O álbum mostra isso de maneira particularmente eficiente.
Os riffs podem surgir extremamente pesados em determinado momento e, poucos segundos depois, abrir espaço para uma passagem melódica ou um refrão de vocais limpos.
A bateria também tem papel fundamental nessa dinâmica.
Dirk Verbeuren demonstra toda sua precisão e velocidade, ajudando a criar a intensidade necessária para as músicas mais extremas sem transformar o disco em uma sequência cansativa de explosões.
O baixo de Ola Flink, os teclados de Sven Karlsson e as guitarras completam uma produção musical extremamente rica.
É metal moderno, mas sem abandonar as características que fizeram o Soilwork conquistar seu espaço dentro do death metal melódico.
Björn Strid é um espetáculo à parte
Se todos os integrantes apresentam performances de alto nível, existe um nome que merece atenção especial: Björn “Speed” Strid.
O vocalista encontra em The Living Infinite um espaço perfeito para explorar sua versatilidade.
De um lado, estão os vocais agressivos e rasgados que ajudam a manter a essência extrema do Soilwork. Do outro, aparecem os vocais limpos, fundamentais para os refrões e para os momentos mais melódicos.
Essa alternância impede que as músicas se tornem previsíveis.
Strid não utiliza os vocais limpos simplesmente como um recurso ocasional. Eles fazem parte da construção das músicas e ajudam a criar contrastes que tornam determinados refrões ainda mais memoráveis.
É uma das razões pelas quais The Living Infinite consegue alcançar até mesmo ouvintes que normalmente não se identificam tanto com o death metal melódico.
As músicas que mais se destacam
Embora seja um daqueles discos que merecem ser ouvidos na íntegra, algumas faixas naturalmente chamam mais atenção.
“Spectrum of Eternity”
A abertura já deixa claro que o Soilwork não está interessado em começar devagar.
“Spectrum of Eternity” combina velocidade, riffs agressivos e uma bateria extremamente precisa. É uma excelente introdução para aquilo que o álbum pretende entregar.
“This Momentary Bliss”
Aqui aparece com força uma das grandes especialidades do Soilwork: transformar peso em uma música extremamente acessível sem perder a agressividade.
O refrão é marcante e funciona como um dos momentos mais melódicos do primeiro disco.
“Tongue”
“Tongue” é outro exemplo da capacidade da banda de alternar diferentes intensidades.
A faixa possui riffs pesados e uma construção que demonstra por que o Soilwork conseguiu se destacar dentro do metal moderno.
“The Living Infinite I” e “The Living Infinite II”
As duas faixas que dão nome ao álbum funcionam quase como capítulos de uma mesma proposta.
Separadas entre os dois discos, elas ajudam a criar uma conexão entre as diferentes partes do trabalho.
“Antidotes in Passing”
Uma das músicas que merecem atenção especial durante a segunda metade do álbum.
A faixa demonstra como a banda consegue manter a identidade mesmo quando explora estruturas e atmosferas diferentes.
“Parasite Blues”
Outra composição que merece ser ouvida com atenção.
“Parasite Blues” reforça a diversidade presente no álbum e mostra que o Soilwork não depende apenas da velocidade para criar impacto.
Tracklist de The Living Infinite
O álbum é dividido em dois discos, totalizando 20 faixas:
Disco 1
- Spectrum of Eternity
- Memories Confined
- This Momentary Bliss
- Tongue
- The Living Infinite I
- Let the First Wave Rise
- Vesta
- Realm of the Wasted
- The Windswept Mercy
- Whispers and Lights
Disco 2
- Entering Aeons
- Long Live the Misanthrope
- Drowning with Silence
- Antidotes in Passing
- Leech
- The Living Infinite II
- Loyal Shadow
- Rise Above the Sentiment
- Parasite Blues
- Owls Predict, Oracles Stand Guard
Com 20 faixas distribuídas em cerca de 84 minutos, The Living Infinite consegue evitar a armadilha do cansaço auditivo ao variar dinâmicas, andamentos e arranjos sem perder a identidade agressiva da banda.
Se você ainda não conhece ou nunca ouviu falar aqui está o album completo:
Por que The Living Infinite continua relevante?
Mais de uma década depois de seu lançamento, o álbum ainda funciona porque não depende exclusivamente de uma tendência específica.
O Soilwork conseguiu produzir um disco que representa muito bem uma determinada fase do metal moderno, mas que também possui características capazes de sobreviver ao tempo.
A combinação de riffs agressivos, refrões melódicos, vocais variados e performances instrumentais extremamente competentes faz com que o álbum continue interessante mesmo para quem já o conhece há anos.
Além disso, existe algo especialmente admirável na decisão de lançar um álbum duplo justamente em um gênero no qual a intensidade pode facilmente se transformar em repetição.
O Soilwork assumiu o risco.
E venceu.
A formação do Soilwork em The Living Infinite
A formação responsável pelo álbum contou com:
- Björn “Speed” Strid — vocais
- Sylvain Coudret — guitarra
- David Andersson — guitarra
- Ola Flink — baixo
- Sven Karlsson — teclados
- Dirk Verbeuren — bateria
É uma formação que reúne músicos extremamente experientes e que contribui diretamente para a riqueza sonora do álbum.
Perguntas frequentes sobre The Living Infinite
Quando The Living Infinite foi lançado?
O álbum do Soilwork foi lançado em 1º de março de 2013.
Quantas músicas The Living Infinite possui?
O álbum reúne 20 faixas, divididas em dois discos.
The Living Infinite é um álbum duplo?
Sim. É o primeiro e, até o momento, único álbum duplo de estúdio lançado pelo Soilwork.
Quem substituiu Peter Wichers no Soilwork?
David Andersson entrou para a banda e participou de The Living Infinite.
Qual é o estilo musical de The Living Infinite?
O álbum é geralmente associado ao death metal melódico, incorporando elementos de metal moderno, melodias e diferentes abordagens vocais.
Qual é a melhor música de The Living Infinite?
Não existe uma resposta definitiva, mas “Spectrum of Eternity”, “This Momentary Bliss”, “Tongue”, “Antidotes in Passing” e “Parasite Blues” estão entre os destaques que merecem atenção.
Vale a pena ouvir The Living Infinite inteiro?
Se você curte este estilo musical a resposta é sim! A principal força do álbum está justamente na variedade entre as 20 faixas e na capacidade do Soilwork de manter o interesse durante toda a audição.
Considerações sobre The Living Infinite
Existem álbuns que são bons porque apresentam algumas músicas excelentes.
Existem outros que funcionam por causa de uma produção impecável ou de uma grande performance individual.
E existem aqueles raros trabalhos em que praticamente tudo parece estar no lugar certo.
Para mim, The Living Infinite pertence à terceira categoria.
O Soilwork tinha diante de si um problema que poderia ter resultado em um álbum apenas competente: a saída de Peter Wichers e a necessidade de apresentar um novo guitarrista ao mesmo tempo em que a banda decidia lançar 20 músicas em um álbum duplo.
O que aconteceu foi justamente o contrário.
A banda transformou a mudança em uma oportunidade para mostrar que sua identidade não dependia de uma única pessoa.
O resultado é pesado quando precisa ser pesado, veloz quando precisa ser veloz e melódico quando a música pede espaço para respirar.
E talvez esse seja o maior elogio que podemos fazer a The Living Infinite: mesmo com sua longa duração, o álbum não parece cansativo.
É um trabalho para ouvir do começo ao fim, descobrir novos detalhes e revisitar depois de alguns anos.
Por isso, quando falamos sobre os grandes álbuns de metal da década de 2010, The Living Infinite merece estar na conversa.
Minha Nota: 9/10
Gênero: Death Metal Melódico / Metal Moderno
Lançamento: 1º de março de 2013
Formato: Álbum duplo
Gravadora: Nuclear Blast
Qual é a sua faixa favorita desse álbum? Encontrou algum ponto que gostaria de ajustar no texto antes de publicar?
