Se em algum momento do dia após as 12h você entrou na internet hoje, provavelmente se deparou com a notícia do suicídio do vocalista da banda Linkin Park, Chester Bennington.

Leia esse post ouvindo a música abaixo:

Não vou fazer a apresentação ou retrospecto da carreira e vida de Chester Bennington porque eu tenho certeza absoluta que todos que lerem esse texto algum dia na vida já cruzaram o caminho com alguma música da banda ou alguma entrevista do cantor.

Certo, já que não é apenas uma notícia sobre a morte do vocalista, sobre o que se trata essa matéria?

Eu queria conversar com vocês e talvez até mesmo desabafar com vocês sobre depressão. É um dos assuntos que eu “deixo pra lá” ou evito conversar, talvez pelo fato de ter sofrido com essa doença por pelo menos dois terços da minha vida, ou talvez por acordar no hospital depois dias desacordado após tentar ferrar com minha vida.

Não tenho orgulho de falar sobre isso, mas vejo que é um assunto que merece ser debatido, merece ser discutido e se informado.

Quando você tem depressão parece que todas as forças se esgotam, até mesmo aquele pequeno esforço para abrir a janela para arejar a casa parece ser impossível. Algumas pessoas, em alguns momentos eu me incluo nessas, buscavam maneiras de melhorar, eu mesmo aclamei e gritei por ajuda diversas vezes, mas como a falta de informação é maior do que a boa vontade das pessoas, tudo que eu ouvia era:

“Larga de frescura, tu tem tudo e tá ai reclamando, veja bem as crianças da África…”
“É falta do que fazer, vai trabalhar mais”
“Você é branco, classe média, bonito, tem trabalho, tem estudo e ainda reclama?”

Entre outros absurdos.

Digo por mim, algumas vezes sei que tentei chamar a atenção das pessoas por meios errados, da forma que não deveria ser feita, mas pode acreditar, no momento, era tudo que passava em minha cabeça, era tudo que eu conseguia fazer para pedir ajuda.

Quem me acompanha sabe que uma das coisas “clássicas” que eu sempre digo é que não tenho amigos, e eu afirmo isso todos os dias, porque nos momentos que eu mais precisei, não tinha ninguém lá para me acolher, e alguns desses dias, eu precisava apenas de um ombro amigo pra me acalmar antes que eu fizesse alguma besteira comigo mesmo.

Nos próximos dias farei um vídeo explicando um pouco melhor essa fase da minha vida, mas o objetivo do texto é mostrar para as pessoas que quem tem depressão não consegue ver saída, é como se estivesse em um labirinto tão grande que em algum momento você se cansaria de tentar sair e simplesmente ficaria parado no mesmo lugar esperando que o mundo ou a vida acabasse.

Classe social ou econômica, sucesso, fama, reconhecimento profissional, nada disso é suficiente se você realmente sofre de depressão. Por mais que sua família esteja ali e você tenha milhões de fãs e/ou seguidores, na sua cabeça parece que está sozinho, que está abandonado.

Por isso eu peço de coração, se alguém reclamar de depressão, não tente fazer a pessoa se sentir pior, não a incentive a cometer suicídio ou fazer alguma merda, porque eu tenho certeza que em algum momento o seu deboche pode vir a ser realidade na vida de alguém. Eu fiquei indignado quando li os comentários em diversos sites, até mesmo sites gringos que estavam noticiando a morte do Chester, diversas pessoas dizendo que ele era milionário, que tinha uma bela família, que tinha fama, carros, casa, e nada justificava o que ele fez.

Enfim, espero que vocês, caros leitores, possam pensar duas vezes antes de falar algo assim para um depressivo.

Para não extender muito esse texto/desabafo, vou parar por aqui e algum dia eu edito essa postagem com um vídeo explicando melhor.

😉