33 casos. 33 histórias onde o uso de redes sociais ou anúncios pela internet determinaram o destino de inúmeras vidas.
Social Killers é o mais recente titulo da série Crime Scene®, uma coleção de livros que traça os perfis dos mais assustadores e temidos criminosos ao redor do mundo, publicados no Brasil pela editora DarkSide Books. Além da leitura em si, a edição se destaca também como objeto; sua capa (dura) metaliza, credita ares de um dossiê secreto.
capa-social-killers-frente-finalMas no fim, o livro em si, é mais ou menos isso mesmo; uma reunião de situações onde o Facebook, fóruns e grupos pela internet, além do Craigslist – uma espécie de classificados on-line onde são ofertados produtos e os mais diferentes serviços – serviram de intermédio para que assassinos em série, pedófilos, stalkers e tantos outros, encontrassem suas vítimas para a concretização dos seus desejos mais obscuros.

“Quando está on-line, você nunca sabe quem é a pessoa do outro lado … Você não faz a menor ideia.”

Durante a leitura fica impossível não se questionar o lado psicológico, social e cultural envolvido nessas situações. Algo que de alguma forma, justificasse as condições que levaram às vitimas a essa vulnerabilidade, a essa abertura. Aliás, é tentar justificar o injustificável. Mas essa é uma das situações que surgem no decorrer da leitura. São situações tão triviais, tão corriqueiras que chega a assustar, tamanha proporção que tais eventos culminaram.
Por exemplo, adolescentes que idealizam uma pessoa com aqueles “romances virtuais”, quando na verdade por trás daqueles bate-papos tão afetivos e carinhosos, se escondem uma persona, quase sempre homens que desfrutam de destaque na comunidade e/ou no trabalho e na maioria das vezes são pais de filhos amorosos e casados com esposas seletivamente cegas. Pessoas com danos psicóticos severos, que se transformam em predadores virtuais, devido ao enorme alcance e influencia da internet.  É bem com o subtítulo da edição nacional fez questão de sintetizar: Amigos virtuais, assassinos reais.

 Social Killers

Longe de fazer um estudo psicológico sobre todas as engrenagens envolvidas em situações como essas, o título acerta em deixar esse levantamento e questionamento para o leitor.
Ao nos apresentar o cada caso, cada vítima, em pouco menos de quatro páginas, Social Killers se faz como um alerta, um aviso para todos aqueles que não têm ideia dos perigos do mundo on-line.
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A leitura se apresenta dinâmica e mantém-se constante durante todas as suas 270 páginas. Com a premissa de expor cada caso de forma sucinta, o casal de autores independentes, RJ Parker e JJ Slate, fizeram do título uma leitura que mistura características de diversos gêneros literários.  Aliado a isso, temos a curiosidade e o interesse (quase mórbido) do leitor em ficar, “literalmente”, por dentro cada caso e pronto; temos uma exposição impressa do que há de mais maléfico e danoso na natureza humana; o desejo e o prazer (segundo os próprios) de tirar a vida de alguém.
Ora quase como uma fábula, pois, quando a vítima sai com vida, fica implícita a ideia de uma moral com toda essa experiência. Ora como crônica tamanha a banalidade da narração do cotidiano, que assusta e incomoda qualquer leitor, pois, Social Killers vai do doentio ao sanguinolento em um mover de páginas, e traz situações com enredos e desfechos tão fortes, que pelo peso crível do ocorrido, nos indigna antes como pessoa, do que como meros leitores. Nem romances policiais ou dos gêneros de terror/horror, elencam em suas páginas tantos crimes tipificados de torturas, canibalismo, sequestros e suicídios.
 IMG_2015Social Killers possui um estranho fascínio. Sua leitura impressiona o leitor de tal forma, que ele se vê envolto em um enredo, onde cada clique, cada e-mail ou mesmo, cada solicitação de amizade, pode significar o fim de uma vida.