Publicada em 2000, O Poder da Esperança faz parte da coleção Os Maiores Heróis da Terra (Superman: Paz na Terra; Batman: Guerra ao Crime; Mulher Maravilha: O Espírito da Verdade; LJA: Origens Secretas; LJA: Liberdade e Justiça), uma parceria entre o roteirista Paul Dini e o ilustrador Alex. Propõe histórias em que super heróis refletem sobre sua identidade, e seu destino.

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Billy Batson ainda é praticamente uma criança, trabalhando como radialista. Sua principal função é enunciar os grandes feitos do Capitão Marvel – seus próprios feitos. Numa noite, a pedido da rádio, responde algumas cartas como se fosse o Capitão Marvel. Centenas de pedidos o deixam irritado, por toda a pressão colocada sobre seus ombros – quase se arrepende de ter sido escolhido pelo Mago para se tornar o mais poderoso herói do mundo. Uma carta, no entanto, pede que o Capitão visite crianças no hospital da cidade. Ele rapidamente pronuncia as palavras mágicas – Shazam! – e dirige-se à Pedra da Eternidade, em busca do Mago.

Sabendo que as responsabilidades têm pesado sobre o jovem, o Mago o orienta a ir até as crianças. Seus pequenos corações acreditam fervorosamente, e, na figura do Capitão, elas encontram inspiração e algo em que ter fé. Além disso, ele lhe conta que, em breve, uma criança precisaria do Capitão Marvel para reencontrar a esperança perdida em seu coração.

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Billy chega ao hospital e às crianças. Elas entram em delírio ao ver o grandioso herói entrando pelas portas, dispondo-se a passar alguns dias com a seu lado. À exceção de um garoto, solitário em sua cadeira de rodas, todos se esforçam para conseguir seu próprio pedaço do Capitão Marvel. Ele as leva em suas aventuras, conforme narra seus maiores perigos, e todo o mal que já enfrentou.  Viaja o mundo em busca da ajuda necessária aos casos mais graves, carrega-as nos ombros sobre a cidade, e as transporta até o fundo do mar. Nem mesmo um passeio que quase termina em tragédia as desanima ou amedronta – o perigo foi como uma volta numa montanha russa. Estar ali era tudo pra elas.

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O Capitão volta seus olhos ao garoto na cadeira de rodas. Supondo que havia sido vítima de violência doméstica, decide aproximar-se como Billy. Tendo sido ele mesmo também vítima, suas suposições se confirmam. Decidido a fazer algo pelo pequeno, vai até a casa dele, em busca do pai. Não tendo impressionado muito, reaparece em sua forma heroica. Sendo o Capitão Marvel, ele busca ajudar ao máximo todos ao seu redor. Nem todas as crianças podem ser salvas, ali. Mas, entre aquelas que podem ser salvas, e as que precisam apenas de gentileza e carinho, ele fez o que podia enquanto esteve ali.

“Existem batalhas que nem mesmo o Capitão Marvel pode vencer”, o ancião lhe conforta, estando ele de volta à Pedra da Eternidade. O sentimento de impotência que está em seu coração é aceitável, mas que ele não se esqueça de que deu a elas o maior presente que conseguiria – esperança. E, durante essa tarefa altruísta, ele restituiu esperança também a um coração que, embora generoso, havia perdido sua força e – o coração de criança que ele mesmo guarda dentro de si. Nem sempre o que é necessário está fora, mas dentro. Passeios pelos céus talvez nem sempre sejam a grandiosidade requerida pra que se reestabeleça a chama da esperança, mas um pequeno ato, partindo de uma criança, uma amizade, um pequeno tempo disponível.

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