Essa semana Revolution parece ter finalmente engrenado algumas opções de roteiro. Muito embora ainda seja possível ver algumas coisas completamente desnecessárias (como aquela cena entre MilesNora, que me entediou até as últimas consequências), outros fatores como a aliança praticamente impossível entre MilesTom, além da concessão (já não era sem tempo) de força à Bass e de uma storyline de importância a Aaron foram agregadas à trama. Além de algumas sequências de ação bem desenvolvidas e convincentes. 

De cara o episódio ganhou comigo por ter deixado com que Charlie ficasse calada a maior parte do tempo. E (tenho que pagar com a língua dessa vez) dei razão para os protestos feitos por ela diante de Miles. Ele parecia tão obcecado com o objetivo de derrotar Bass que fez coisas questionáveis, como o sequestro do cientista que desenvolvia antrax para a Milícia Monroe, tentando fazer com que ele fizesse o mesmo serviço a favor da Federação da Georgia. A mim ficou a impressão que ele estava retornando ao que era quando estava à frente da milícia, e o enredo usou CharlieNora (em um dos poucos momentos em que elas não me irritaram completamente, até porque tiveram alguma função justificável) para trazê-lo de volta, o que ficou muito plausível.

As disparidades e dualidades na postura de Tom e o desenvolvimento do personagem durante o episódio ganhou contornos muito caprichados. Ele é um dos personagens mais promissores e fascinantes da trama e a aposta em seu destaque foram um ponto positivo aos roteiristas que, ainda neste episódio, apostaram também em conceder a Aaron seu espaço para brilhar. Gostei de saber que ele pode ter mais haver com a trama da Torre (que agora ficou definitivamente mais interessante) e estou realmente curiosa em descobrir as implicações disso para ele. Além disso, gostei de ver a coragem e lealdade dele posta a prova.

Bass apareceu muito pouco neste, porém amei que ele tenha finalmente se imposto sobre Randall. O fato é que os papeis estavam bem misturados nessa aliança, sem definir quem mandava mais. Bastou uma frase de Monroe para que as cartas fossem definitivamente colocadas à mesa:

Oh, Mr. Flynn. You are my IT guy. If you say something like that again, I’m gonna rip your throat out.

-Sebastian Bass.

A minha vibração com essa frase veio junto com os pedidos mentais de que Bass mostre mais seu jeito BAMF de ser, tudo para nossa apreciação. Como Kripke parece ter ouvido meus apelos anteriores em favor da parceria (?) MilesTom e da storyline de Aaron, fica a esperança de que mais esse desejo seja atendido.

Quero finalizar essa review com a segunda relação entre personagens mais interessante dessa série: a já mencionada parceria quase impossível entre MilesTom. Ela teve todos os conflitos e temperos que eu esperava, mas embates e falta de confiança que só deixaram as interações ainda mais dignas de apreciação. Fiquei com medo que os roteiristas apelassem para uma outra separação por falta de compatibilidade, mas o final do episódio me deixou o gostinho de que esses dois continuarão se engalfinhando até o fim dessa temporada, até o que eu espero seja um instante que um dependa do outro a ponto de ganharem a confiança mútua que precisam para derrotar a Milícia Monroe. Espero pelo menos.

Enfim, um episódio com boas decisões e que traz alguma expectativa para esse encerramento de temporada. Que os roteiristas saibam fazer as apostas corretas em favor da trama de Revolution.

  • Muito embora eu tenha dado como justificado o discurso que Charlie usou com Miles, pareceu muito contraditório que a moça tenha dito isso depois de estar disposta a colocar uma bala na cabeça de Emma no episódio anterior, apenas para que cumprisse o objetivo de matar Bass;
  • Digo, repito e reforço: qual a função da cena entre MilesNora, se esse romance não cola de jeito nenhum? Kripke não acerta a mão em casais mesmo;
  • A cena inicial do sequestro do cientista, o salvamento que Aaron fez em favor de Rachel e o tiroteio promovido pela Milícia Monroe em cima dos barcos da Federação foram extremamente bem executadas. Fãs de ação agradecem;
  • Alguém mais ficou achando que, naquela cena em que Miles pergunta ao capturado da Milícia se ele queria “com o sem o saco”, que ele ia dar uma de “Capitão Nascimento” ali mesmo?
  • Amei anda mais o Tom por todos os momentos em que ele apontou uma arma para Charlie. Pena que Miles interferiu;
  • Jason só fica interessante quando exploram sua relação com Tom. E, mesmo assim, vejo como muito infundado o ódio proclamado neste episódio;
  • Aaron foi um herói nesse episódio;
  • Trailer do próximo episódio abaixo:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=qmk0MXSWOz4]