Sobre os Beatles, muitos conhecem as músicas, seus integrantes e a história geral da banda. É bem verdade, que outros personagens ao longo da história da banda, também já receberam o título de quinto beatle. Antes de Paul McCartney, houve o baixista Stuart Sutcliffe. Antes de Ringo Star, houve o baterista Pete Best. E também houve outro grande nome de destaque no desenvolvimento deles, o produtor musical George Martin. Mas entre esses e outros, o nome de maior relevância que faz merecido jus ao posto de número 5, na formação e construção de uma das maiores bandas de rock do mundo, é de conhecimento de poucos e sem dúvida alguma, Brian Epstein, o empresário britânico que trabalhou e se dedicou intensamente para projetá-los ao estrelato mundial é o nome final. Paul McCartney já atestava isso em 1997.

CAPA POST
“Se existiu um quinto Beatle, ele foi o Brian”, afirmava Paul McCartney em 1997.

Brian nasceu e passou boa parte da infância em Liverpool, mas durante a Segunda Guerra Mundial, seu pai decidiu levar a família para um lugar longe das áreas conflituosas de algumas cidades da Inglaterra dos anos 40. Na adolescência, chegou a pedir ao pai para estudar design de moda e com a recusa do senhor Harry Epstein, um judeu de fortes convicções, Brian se viu tendo que trabalhar no negócio da família. A loja de discos NEMS, ficava na Great Charlotte e ali ele viria ter seu primeiro contato com o nome Beatles quase que por acaso. Na gerência do lugar, Brian teve seu interesse despertado, quando um cliente veio na loja, procurando um compacto da banda. Como havia um lema no estabelecimento de que qualquer pedido deveria ser considerado, ele anotou:

“My Boonie. The Beatles. Verificar na segunda-feira.” 

Assim começava a história de Brian Epstein, um gerente de uma loja de discos que viria a transformar quatro garotos despretensiosos de Liverpool em um sucesso sem igual.

Em 6 de Novembro de 1961, no famoso bar temático Cavern Club, Brian assistia pela primeira vez uma apresentação dos Beatles. Ele ficou extasiado com a sonoridade e personalidade dos 4 músicos no palco e como já trabalhava indiretamente no ramo, resolveu arriscar e oferecer a proposta de empresariá-los. Apesar de bem relutantes de inicio, o primeiro a aceitar as imposições por Brian foi Paul McCartney. E olha que não foram poucas. Sem jamais imaginar as grandiosas pretensões de Brian, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr tiveram que se adaptar uma verdadeira revolução no visual e no comportamento da banda. A partir daquele instante, não era mais permitido usar jeans, jaqueta de couro, beber e fumar durante os shows, dentre outras inúmeras coisas.

Não resta dúvida que o boom da beatlemania teve participação direta de Brian. Ele foi responsável por moldar e direcionar a banda ao merecido sucesso. De natureza singular, Brian foi ativamente presente na gênese do mito em torno dos Fab Four. Incutindo na ‘alma’ da banda a ideia de que eles estavam predestinados a serem grandes. Além de empresário ele foi amigo, mentor e fã da banda e o grande feito dessa HQ, foi retratar a essência desse período e da figura de Brian como um indivíduo a frente do seu tempo. De um indivíduo vanguardista, que apostou em si e em suas convicções para projetar aqueles quatro garotos ao status que hoje possuem.  Em pouco mais de 160 páginas, o título agrega uma proposta arrojada e genuína.

O Quinto Beatle foi o primeiro título em quadrinhos da Editora Aleph, que apostou alto nessa obra inovadora e única em conteúdo. Só o formato já merece um destaque à parte, a edição possui nada menos que 21 x 31 (L x A), em papel couché fosco, páginas em alta gramatura e capa cartonada com orelhas. A edição brasileira ainda traz como extras, o processo criativo dos ilustradores, imagens de itens de colecionadores da banda e uma reunião de notas do tradutor. O leitor sentirá o peso dessa HQ de 1Kg (!) mais nas mãos do que no bolso mesmo, pois todo esse zelo para com a edição possui um preço atrativo de R$59,90.

Desde o seu lançamento em Novembro de 2013, o título veio angariando prêmios e indicações em diversas categorias do gênero. Em 29 de Julho deste ano, “O Quinto Beatle” levou o Oscar dos quadrinhos, o Will Eisner por melhor título de não-ficção. E sua relevância foi além, pois a proposta de duas décadas do roteirista Vivek J. Tiwary com ilustrações da dupla Andrew C. Robinson e Kyle Baker já está em desenvolvimento para os cinemas.

Com a proposta de relatar a vida, os sonhos, as desilusões desse visionário, a HQ “O Quinto Beatle” foi além e expressou com cuidado e certa devoção, um pouco da personalidade de Brian como pessoa e como personagem, por ora protagonista, ora coadjuvante na carreira dos rapazes de Liverpool. Seus dramas e conflitos estão na HQ para incorporar veracidade à construção desse indivíduo. Que deixou como um dos legados a premissa básica de continuarmos sonhando.

Assista o book trailer da HQ:

Hoje, se estivesse vivo, Brian Epstein faria 47 anos!

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Para saber mais

  • Uma outra HQ, também aborda sobre um ‘Quinto Beatle’. De origem alemã a HQ ‘Baby’s in Black – O Quinto Beatle’, fala sobre o inicio da banda sob a perspectiva de Astrid Kirchherr, primeira fotógrafa oficial da banda e idealizadora do famoso corte de cabelo dos 4. O título foi publicado em 2012 no Brasil.
  • Leia uma entrevista de Brian Epstein, concedida à revista Veja, momentos antes do show memorável televisionado pela CBS em 1964.
  • Stuart Sutcliffe, o baixista que rapidamente passou pela banda no inicio da carreira é o foco central do filme de 1994, Backbeat – Os cinco rapazes de Liverpool.