Antonio Prata | Nu aos 30 e poucos

Crônica em sua grande maioria é banal e quanto mais banal, é mais precisa, mais ferina, mais pungente. E justamente nessa insignificância que Prata perfila ironia e astúcia em temas que vão do futebol semanal a uma tentativa de começar uma série de exercícios abdominais.

Mas nem só de trivialidades se faz uma crônica.

Antonio Prata, um dos principais cronistas da atualidade, complementa a sua mais recente compilação de textos editada pela Companhia das Letras com assuntos relevantes e particulares, como desde a compreensão do país a sua própria formação como pai.

Independente do tema, o jornalista demonstra habilidade e desenvoltura em arquitetar ou narrar situações improváveis, corriqueiras e cômicas que trazem empatia e similaridade com uma boa parcela da população brasileira.

Destaque para a seleção e organização dos textos. São retratos e exemplos dinâmicos, atuais e coesos da proposta principal que creio eu, seja a do título: apresentar várias facetas do autor por meio das crônicas.

Se em Nu, de botas, a seleção dos textos soava cômica, despretensiosa e um pouco aleatória, em Trinta e poucos, Antonio Prata não se intimida em selecionar textos que versam pelo privado e pelo pessoal, como homem, cidadão e pai. Há espaço também para experimentações e escapes textuais, mas em sua grande maioria, Prata soa cada vez mais capaz de divertir e ao mesmo tempo impressionar; pela leveza e sentimentalismo de uma singela recordação ou pelo tom satírico e sensato que permeiam alguns textos.

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São mais de 70 crônicas que compõe Trinta e poucos, e sua abrangência remetem desde a Dezembro de 2010, quando Prata começou sua coluna na Folha de S. Paulo.

Diferente da leitura de uma coluna semanal, que se faz pontual, espontânea e sem grandes pretensões, a leitura do título como um todo é um exercício diferente, que propõe ao leitor observar e identificar algo também seu naqueles textos e como resultado, perceber o notório amadurecimento do autor, como grande observador e contador de histórias.

Como bem já pontou o autor; crônica é o tipo de texto indicado para “quebrar a dureza e a tristeza da atualidade.”

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Antonio Prata é um dos melhores exemplos dessa nova safra de cronistas e dono de uma mente inquieta, questionadora e irritadiça, que interpõe suas crônicas com acidez, humor e inteligência.

Reais ou ficcionais, seus textos falam de ou sobre si mesmo. De memórias vividas ou ouvidas, do seu (ou do nosso) cotidiano, do que é frívolo ou pertinente, do que é atual ou nostálgico.

Certo é que ao fim de cada leitura, encontramos de forma recorrente três coisas, ora juntas, ora separadas: um questionamento; uma identificação e certamente um sorriso.

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