The Kiss of Deception – Crônicas de Amor e Ódio

Desde que a DarkSide Books nos apresentou os lançamentos do primeiro semestre de 2016, ficou claro que Kiss of Decepction seria um dos queridinhos da editora, sendo ele pertencente a coleção denominada DarkLove. Já li outros desta coleção, que são realmente maravilhosos com suas histórias românticas com uma pitada de sobrenatural, que é a marca da editora.
KoD(4)The Kiss of Deception é convenientemente conhecido também como KoD e não foge a regra em ser uma das melhores apostas do ano. O livro narra a trajetória da princesa Arabella Celestine Idris Jezelia, a Primeira filha da casa de Morrighan. Ela prefere ser chamada somente de Lia com referência o fim do seu ultimo nome. Lia está prestes a casar com o príncipe do reino de Dalbreck, mas isso não quer dizer que a vida dela seja um conto de fadas estilo Disney.
“Eu não sou um soldado no exército do meu Pai”
“Minha mãe aproximou-se de mim, esfregou minha bochecha com a mão, e disse, em um sussurro: “Sim, minha querida”. Você é.”.
Lia carrega em suas costas o fardo de ser a primeira filha. Reza a lenda que a primeira filha é possuidora de um dom. O dom é quase sempre de prever o futuro, às vezes, mas aparentemente é bem mais do que isso. E Lia também quer mais do que só um casamento arranjado. Ela quer tomar as próprias decisões. O fato é que ela não pode e por isso ela decide fugir no dia do seu casamento. Junto com sua amiga Pauline, Lia sai de Morrighan para a cidade de Terravin em busca de uma nova vida.
KoD(23)“Mas eu não tenho o dom da Primeira Filha. Não sou uma Siarrah. Dalbreck logo vai descobrir que não sou posse de valor que acreditam que eu seja. Esse casamento é uma farsa.”
O que a princesa não esperava é que o príncipe abandonado decide ir atrás dela, e além dele, um exímio assassino contratado pelo reino de Venda, o reino dos bárbaros. A união de Lia com o príncipe de Dalbreck selaria uma aliança entre os reinos, para juntos impedirem as invasões bárbaras, mas Lia odeia tais tradições.
KoD(16)“Durante minha vida toda sonhei com alguém me amando pelo o que eu era. Por quem eu era. Não por ser a filha de um rei. Não por ser a primeira filha. Apenas por mim. E, com certeza, não porque um pedaço de papel ordenava isso.”
Ao chegar a Terravin, Lia dá inicio a sua nova vida. De princesa de Morrighan a garçonete em uma estalagem. A princesa e sua amiga começam logo dão duro nos afazeres domésticos. Lia teve que se adaptar a dores causadas pelo trabalho braçal do qual nunca fizera em sua vida de nobreza. E ela se sentia feliz e quase completa em sua nova vida, faltando-lhe o amor. Isso até dois estranhos adentrarem à estalagem.
“Pescador à esquerda, proclamou ela. Ombros fortes. Cabelos beijados pelo sol, precisando de um pente. Corte nas mãos. Um pouco sombrio… O loiro à direita, algum tipo de comerciante. De peles de animais, talvez”.
KoD(39)Os dois estranhos são Kaden e Rafe; um deles é o príncipe e o outro o cruel assassino. Ambos estão a procura da princesa perdida e ambos mantêm seus segredos. De primeira vista, é difícil saber quem é o príncipe e quem é o assassino, a autora no decorrer dos capítulos é que nos ajuda a desvendar quem é quem. Lia fica dividida entre o misterioso Rafe e o enigmático Kaden. Os rapazes vinham com uma visão completamente formada da princesa, mas ao conhecê-la viram que estavam completamente equivocados, pois ela não é como nenhuma outra nobre que eles já tenham conhecido.
“Rolei de novo no colchão, incapaz de ficar confortável. Então eu a tinha visto. E agora? Eu havia dito a Sven que ao falaria com ela, e falei. Eu queria envergonhá-la em público, e não fiz. Queria falar com ela em particular, mas não podia. Nada estava saindo da maneira que eu havia planejado.”
Descobri quem era o príncipe e quem era o assassino foi difícil. A autora soube trollar legal nesse aspecto. Cada capítulo do livro é narrado pelo ponto de vista de um personagem. Ora é a princesa, ora o príncipe, ora o assassino, além de Kaden e Rafe. Até eu descobrir quem era quem só pelas características físicas foi complicado. Ela soube inverter bem as coisas.
“Eles se destacavam dos fregueses costumeiros que adentravam pelas portas da taverna de Berdi, tanto em termos de estatura quanto de comportamento”.
“Para mim, eles não eram nem pescador, nem comerciante. Minha intuição dizia que tinham outros negócios a tratar aqui…”.
KoD(35)Além do assassino de Venda e do príncipe de Dalbreck, a princesa recebe a visita de outro assassino enviado da corte de seu pai, pois antes de fugir ela levou consigo alguns pertences do Chanceler e do Erudito. Aparentemente esses bens eram de muita valia e muito secretos, pois talvez o rei não tenha conhecimento do que seus homens de confiança andam escondendo. Não que eles já não a quisessem longe, pois há tempos na corte a princesa era alvo de suas perseguições.
“Sempre soube que tanto o Chanceler quanto o Erudito não gostavam de mim, mas nunca achei que fossem enviar alguém para me matar.”
Além de se preocupar com o seu destino Lia se preocupa com de sua amiga e ex-serva Pauline, que além de apaixonada está em uma situação complicada para uma jovem não casada. No decorrer dos capítulos Lia ouve vozes em seu pensamento, mas ela não tem ideia de que seja o seu dom surgindo e acaba deixando passar despercebido, pois outros assuntos tomam espaço de seus pensamentos.
“Vejo apenas lembretes de que nada dura para sempre, nem mesmo a grandeza.”
“Algumas coisas duram”
Encarei-o “É mesmo? Exatamente que coisas seriam essas?”.
“As coisas que importam.”
Aos poucos Lia vai aprofundando suas amizades com Kaden e Rafe e desperta para o amor e acha que tudo está dando certo, mas a morte inesperada de sua cunhada e do desespero de seu irmão faz com que Lia se veja obrigada a voltar para casa e firmar a aliança com Dalbreck. Ela não sabe o que será dela e de seu novo recém-descoberto amor.
“Encontrarei você…
No recanto mais longínquo…
Eu encontrarei você.”
O problema é que o assassino não vai deixá-la voltar tão facilmente. Lia é pega em uma emboscada forjada pelo assassino e seus comparsas. Logo começa uma dura jornada até o reino dos bárbaros. Onde conhece a crueldade dos homens e a dor da morte de alguém querido. Ela começa a descobrir o seu dom e que sua vida está marcada por uma profecia há tempos cantada. O final é sem dúvida daqueles que fazem você ambicionar ardentemente pela continuação.
KoD(44)KoD possui personagens extremamente cativantes,  Lia sendo uma princesa de opinião forte, Rafe um rapaz misterioso e cheio de determinações e Kaden, intrigante e aparentemente perigoso. O triângulo amoroso é algo clichê, mas as nossas vidas são repletas de clichês. A escrita de Mary E. Pearson é sem dúvida maravilhosa. Não há uma passagem entediante em todo livro.
Vemos no decorrer da história o crescimento de Lia, de suas difíceis decisões e de suas implicações. Lia nada mais é do que uma mulher com sede de liberdade, mas que tem que viver enclausurada numa vida sem escolhas, presa a tradições que ela não acredita, mas que é forçada a seguir. Ela só quer o direito de decidir que rumo tomar, de arcar com os próprios erros e não por decisão de outros. Ela é uma mulher que tem a vida decidida por contratos assinados por homens que não se importam com a sua felicidade.
Vivendo em uma sociedade altamente patriarcal onde o dever vem sempre antes do amor e da felicidade. Onde suas vontades não tem valor. E não só Lia vive assim, mas Rafe e Kaden também. Cada um passou por coisas em sua vida e tem os seus dilemas. Um é assassino por consequências do seu passado e ou outro tem de casar-se obrigado por conta de seu dever por ser filho único e herdeiro de um reino. Todos vivem entre o querer e o dever. Conspirações e traições foram feitas pelos mais velhos sem que eles saibam o que torna mais difícil o rumo de cada um. No primeiro volume a pouco conhecemos da vida de Kaden e Rafe, o que eles contam são mais sobre o presente do que fatos ocorridos no passado, por isso ainda não dá pra definir ao certo o que leva cada um a ter visões distorcidas tanto do povo de venda como da própria realeza. Mais é sabido que a realeza tem culpa pelo rumo da vida do assassino.
O que dá pra definir é que a autora nos deixa completamente apaixonada por ambos, se bem que eu tenho um favorito e por incrível que pareça não é o bad boy assassino, pois o príncipe não é nenhum daqueles que vemos nos contos de fadas, ele também se sente preso assim como Lia. Assim como o assassino se vê preso na sua vida de mortes por algo que ele viveu no passado. Eles vivem num mundo de guerras, mitos e tradições, onde o destino está entrelaçado com a magia, mesmo que você não acredite.
KoD(51)Mary E. Pearson escreve divinamente, como já pontuei. Os capítulos são curtos, o que torna a leitura dinâmica e fluída. A tradução foi feita por Ana Death Duarte, muito bem, diga-se de passagem. Quanto a edição, bom precisa mesmo esperar pouco da DarkSide? É um DarkLove e como todos que levam essa denominação é um deleite para os olhos. O livro é em capa dura com toque aveludado, veio com um marcador lindo, além da clássica fitinha de sempre, a edição vem com um belíssimo mapa que também está estampado dentro do livro. Sem esquecer que pela ocasião, o livro veio dentro de um saquinho dourado perfumado com flores e galhos secos.
Só tem uma coisa que eu não gostei. O fato de ter que esperar um ano pra obter a continuação. Quero voltar a Morrighan, quero conhecer Dalbreck, quero desvendar Venda e todos os personagens cativantes deste livro. Será que é pedir demais que os autores parem de ter vida social para nos dar prazer de ler? Fica aí um apelo a editora e a autora, pois os leitores precisam da continuação pra já.
“Todos também fazemos parte de uma história maior também… Uma história que transcende o solo, o vento, o tempo… E até mesmo nossas próprias lágrimas. Histórias mais grandiosas terão sua vez.”
Mary E. Pearson é uma premiada escritora do sul da California,conhecida por seus outros sete livros juvenis – entre eles a série popular The Jenna Fox Chronicle. Mary é formada em artes pela Long Beach State University,e possui mestrado pela San Diego State University. Aventurou-se em trabalhar como artista por um tempo, até receber o maior desafio que a vida poderia lhe proporcionar: ser mãe. Adora longas caminhadas, cozinhar e viajar para novos destinos sempre que tem oportunidade. Atualmente, é autora em tempo integral e mora em San Diego, junto com seu marido e seus dois cachorros. Saiba mais em marypearson.com.

 

Título: The Kiss of Deception
Título original: The Kiss of Deception
Autor: Mary E. Pearson
Tardutor: Ana Death Duarte
Editora: DarkSide
Ano: 2016
Gênero: Literatura norte-americana, Ficção, Fantasia.
Páginas: 416
ISBN: 978-85-66636-86-4 (capa dura)

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