Halo | Broken Circle

A Fábrica 231 vem trazendo cada vez mais títulos de ficção científica para as prateleiras e o seu mais recente lançamento é o livro Halo: Broken Circle, baseado na revolucionária franquia de jogos homônima. Eu nunca joguei Halo, mas já havia ouvido falar e justamente por essa razão, me impus o desafio de ler o titulo sem ter o conhecimento prévio da dinâmica do game. Então vamos lá…

Halo 3

Pelo que pesquisei o jogo é bem extenso e com diversas espécies espalhadas pelo Universo, onde os planetas são explorados por tais espécies, inclusive a humana. O livro dá a oportunidade principalmente para quem joga de conhecer um pouco mais sobre a origem da Guerra Humano-Covenant.
O livro está dividido em duas partes.
Na primeira parte, temos como personagens centrais o Alto Lorde San’Shyuum das Relíquias Sagradas Mken ‘Scre’ah’ben e o Sangheili Ussa ‘Xellus um líder kaidon da resistência. Cada um de espécie alienígena diferente. O primeiro encontro das tropas de ambos não foi dos mais amistosos, vendo que Mken é um Prophet (”profeta”) e Ussa é um “renegado”, que não faz parte da aliança feita entre seu povo Sangheili (Elites) e os San’Shyuum(Prophets). Ussa acha uma humilhação o seu povo ter se rendido, mesmo que os pertencentes ao Covenant não admitam.

“Atrás deles estavam dois guardas de honra, a quem os San’Shyuum se referiam como as “Elites Sangheili”… Em contra partida, as Elites geralmente se referiam aos San’Shyuum como “Profetas”…”

A trama principal se desenvolve em torno dessas duas espécies. Tanto Mken, quanto Ussa, possuem propósitos próprios. A maior semelhança de ambos é que tanto um, como o outro, são uma pedra no sapato de alguns membros do Covenant, pelo menos da parte dos soberbos. Mken admira Ussa, por sua força e sabedoria de liderança. Ambos têm inimigos infiltrados em seus próprios clãs. Mken vive rodeado de outros profetas que simplesmente acham que fazer da sua existência um inferno é a melhor coisa possível. Ussa tenta sempre manter a ordem de seu clã num novo mundo, o que digamos não é lá uma tarefa muito fácil.
Digamos que os ditos “Profetas” são um povinho bem soberbo. Acham-se tão superiores que em suas reuniões não oferecem acentos aos seus colegas Sangheilis para que não se considerem iguais. Uma curiosidade sobre os “superiores Profetas” é que eles só se locomovem sentados em suas cadeiras antigravitacionais. Mken é o único que se atreve a abandonar seu trono particular e se locomover como a ralé. Depois nós humanos somos inércias.

“A gravidade é maior do que a que estamos acostumados – grunhiu o capitão Vervum, direcionando sua cadeira para flutuar ao lado de Mken.

– Estou surpreso por ter se dado ao trabalho de deixar sua cadeira para trás.”

Anos mais tarde, logo após o estabelecimento do Pacto durante a Idade da Reconciliação, três San’Shyuum Ministros da Submissão Gentil e Reconciliação Relativa e Mken que agora é o Profeta de Convicção Interior (outra curiosidade, normalmente eles são chamados pelos cargos e não pelos nomes próprios) se reúnem com os comissários Viyo ‘Griot e Loro’Onkiyo. Os cinco discutem sobre uma rebelião Sangheili em curso que está agora a ser liderada por Ussa ‘Xellus. Enquanto isso Ussa procura um refúgio para o seu povo anti-Covenant e numa de suas visitas, ela encontra numa mina, ‘Creck ou ‘Crecka, que apesar de sua pequena participação na trama acabou por mostrar a Ussa o mundo defensivo e inexplorado da raça Forerunner, Ussa junto de seu clã, passam a habitar este mundo criado por estas supostas divindades.

“O mundo artificial era banhado em metal, como o túmulo de ‘Crecka, ou pelo menos é o que parecia, a julgar por seu exterior esférico todo metalizado. Do que o mundo era realmente composto, o que os Forerunners tinham forjado, isso continuava um mistério.”

Na segunda parte já se passaram mais de um milênio desde os fatos recorrentes da primeira parte e há uma mudança de personagens. Na segunda parte, já temos a guerra contra a humanidade a todo vapor. Os novos personagens são Zo Resken, o Profeta da Claridade (nada contra os cargos, mas o que diabos faz um profeta da claridade? Deixo esta dúvida para os demais profetas com seus cargos de nomes estranhos), compila com a história da Aliança entre as inúmeras raças alienígenas. E na colônia Ussaniana temos Bal’Tol o atual líder kaidon.

“O Covenant. Uma aliança militar teocrática feita por diferentes raças alienígenas que cegamente adoravam os antigos Forerunners, seres de tecnologia avançada que lutaram contra os Floods, parasitas que ameaçavam destruir toda a Via Láctea, há cerca de cem mil anos.”

Zo é fascinado sobre história antiga e os escritos de seu antepassado, o Profeta da Convicção Interior. Ele é incomum entre os San’Shyuum em suas boas relações com um número alto de Sangheili, incluindo Torg ‘Gransamee e G’torik’ Klemmee. Zo Resken é nomeado o Profeta da Verdade assistente (praticamente um subalterno) e fica sabendo da conspiração entre Verdade e vários outros altos-Profetas incluindo o Profeta da Devoção Soberba (O que será que ele faz?) – para lançar o Sangheili fora da Aliança. A história segue então Zo e seus aliados Sangheili como eles experimentam os eventos que cercam, a Batalha de Instalação 05 e a queda de High Charity.

Halo 4

Pesquisei bastante sobre o jogo e seus personagens. O livro é como uma bíblia para o jogo, digamos que seria como o Gênesis. O que vemos é que toda a história se dá por conta de uma religião e de suas supostas divindades, que não passam de criaturas extremamente inteligentes que foram capazes de desenvolver tecnologias extremamente eficazes e incríveis. De um lado, temos os que acreditam que quem mexa nessas tecnologias são hereges e de outro, temos os que acreditam que tais tecnologias deviam sim ser usadas, pois foram deixadas por essas divindades com tais propósitos de ajudar na vida das outras espécies.
Todas as diversas batalhas no decorrer do livro são somente por conta de que determinados seres não concordam com essa religião e de acreditarem na Grande Jornada (espécie de viagem sobrenatural, tipo morrer e ir para o paraíso viver ao lado de Deus, no caso deles os Forerunners). Esse contexto se assemelha às Cruzadas do século XI. Invadir outras terras e impor determinada religião. Os personagens de ambas as partes do livro possuem seus questionamentos e dúvidas. Tive bastante dificuldade em alguns aspectos como imaginar exatamente as estruturas descritas no livro. Pecou pela falta de detalhes, tornando o livro bem mais apreciado a quem joga Halo. Um leigo no jogo como eu, tem que dar umas pesquisadas para poder ter melhor ideia, tanto das características dos personagens, como das instalações.
Outro fato é sobre a linguagem articulada usada pelos San’Shyuum me deixou bem incomodada e muitas vezes me senti até meio pacóvia. Essa raça usa de diversos movimentos das mãos para simbolizar diferentes frases, mas não temos a descrição de como é feito tais movimentos ou se isso é mesmo relevante na trama do livro. Se for, relevante deveriam ter descrito melhor para que pudéssemos imaginar tais movimentos.

“Talvez esses questionadores entre os Sangheili não considerem isso como uma questão religiosa, mas cultural – sugeriu Gujo’n suavemente, fazendo um gesto elaborado que significava eu não o contradigo.”

Não é uma leitura dinâmica e muito menos proveitosa para um leigo no jogo (vou sempre insistir nisso), mas com certeza para os amantes do jogo que se interesse por se aprofundar na história é um excelente exemplar. Ele se tornou mais interessante para mim pelo contexto histórico, pelas comparações a nossa sociedade. O que o poder e a religião juntos de uns sem noção são capazes de fazer para interferir em todos os seres. Cometer genocídios pela religião é uma coisa bem conhecida pela humanidade. Talvez até apreciada.

“Uma união fanática e ditadora, que enxerga os seres humanos como hereges, uma ofensa aos antigos deuses. E que inicia um verdadeiro genocídio contra a nossa espécie.”

“Esta é a história de sua origem.”

Observei uns pequenos, quase imperceptíveis erros na escrita e também na concordância, mas nada que remeta desespero. A capa é muito, mais muito bela, como desenhos em alto relevo e brilhosos. Com certeza é um belo exemplar para se ter em sua estante e a história vai te fazer querer jogar ou no mínimo pesquisar sobre o universo de Halo.

Halo 1

John Shirley (nascido em 10 de fevereiro de 1953) é um escritor americano, principalmente de fantasia e ficção científica e músicas. Ele também escreveu um romance histórico, um ocidental, cerca de Wyatt Earp, Wyatt em Wichita,e um livro de não-ficção, Gurdjieff:. Uma Introdução à Sua Vida e Idéias Shirley tem romances escritos, contos, roteiros de TV e roteiros, e Publicou mais de 40 livros e 8 coleções de contos.  Além de ter escrito vários livros John Shirley era vocalista da banda punk Sado-Nation, em 1978, e o pós-punk banda Obsession funk-rock, em celulóide Records, enquanto vivia em Nova York e Paris, França, na década de 1980 , e foi mais tarde a banda Modernos Panther. Shirley também escreveu 18 letras de músicas gravadas por Blue Öyster Cult.  Ele atualmente vive no San Francisco Bay área com sua esposa, Shirley Micky. John Shirley tem três filhos adultos, gêmeos Byron e Perry e seu irmão mais novo, Julian. Byron é um capitão do iate e Yacht Broker; Perry é jornalista, professor e artista. Julian é um rapper.

Título original: Halo Broken Circle
Autor: John Shirley
Tradução: Guilherme Kroll
Gênero: Ficção norte-americana
Editora: Rocco
Selo: Fábrica 231
Ano: 2015
Páginas: 304
ISBN:978-85-68432-31-0 (brochura)

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