Em Algum Lugar nas Estrelas | Uma história de amizade e descobrimento guiada pelas estrelas.

A editora Darkside® books, especialista em livros com teor de terror vem cada vez mais investindo na sua linha intitulada Darklove, onde o leitor é envolvido em histórias de teor fantástico e sensibilidade humana. E é assim que recebemos o sensibilíssimo Em Algum Lugar nas Estrelas, que vem nos levar por uma viagem de volta a nossa infância e inocência de uma amizade talvez estranha, e mesmo assim essencial.

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A trama se passa no estado do Maine em um colégio interno para meninos o Morton Hill no período Pós-Segunda Guerra Mundial na década de 40. Jack a pouco perdeu sua mãe. Seu pai que retornou da segunda guerra está tão perdido quanto o filho. Ele toma a decisão de saírem do Kansas e partirem para outro estado tentando reconstruir a vida sem aquilo que os unia. E é lá em Morton Hill que Jack conhece Early Auden “O mais estranho dos garotos”.

“Mesmo depois dos últimos dois meses, ainda era estranho ficar sozinho com ele. Meu pai havia passado muito tempo longe, e agora, de repente, estava de volta, mas não completamente.”

E a história é justamente sobre o encontro de duas almas tão diferentes, que juntas se unem em uma construção de amizade pouco provável para os padrões da infância, principalmente nesta fase de transição de infância para adolescência e a difícil tarefa de lidar com as perdas. A narrativa é em primeira pessoa, feita toda pela visão de Jack. Ele narra parte de sua vida no Kansas no decorrer do livro e de como ele foi parar no Maine e como ele conhece Early.

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“Early Auden sabia tudo sobre areia… Na primeira vez que o vi, ele enchia sacos e mais sacos de areia e os empilhava como tijolos. Estava tentando impedir o que o mar levasse alguma coisa, mas não sabia o quê. O que ele fazia era meio maluco, mas alguma coisa em mim entendia.”

Early é realmente um garoto esquisito. Não tem controle no tom de voz, às vezes as coisas que ele fala não parecem ter nexo e esse seu jeito incomum de ver o mundo o afasta das pessoas. E uma amizade meio que improvável começa a florescer apesar de Jack não ter intenção alguma de ser taxado de amigo do garoto estranho.

“E a pergunta persistia. Ele era estranho do tipo camisa de força ou só esquisito do tipo que passava o recreio sozinho e enfiava insetos no nariz?”

Jack nota que Early dificilmente frequenta uma aula na escola, pois aparentemente se ele discordar da opinião do professor ele não retorna à aula. O que intriga Jack é que ninguém no comando da escola parece se importar com isso. Early é possuidor de uma inteligência esplêndida e de hábitos meio que incompreendidos pelas pessoas. Naquela época ele era dito somente como estranho, nos dias atuais ele seria facilmente diagnosticado com a Síndrome de Asperger, que é uma espécie de autismo leve.

 “Eu sabia que aquele garoto era estranho. Só estava tentando avaliar quanto. Até agora eu tinha consciência de que ele empilhava sacos de areia para conter o oceano, faltava em todas as aulas menos matemática e parecia morar no porão da escola onde estudava.”

Early é sensível ao seu modo, tem um gosto especial por música e também um método para ouvi-la. Louis Amstrong sempre às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas, Mozart aos domingos e Billie Holiday sempre que chove. E o ruído branco do disco sempre que está nervoso.

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“Não está tocando nada…”.

“Não… Você estava zangado quando correu para cá. Então criei o ruído branco para você. Para acalmá-lo. É o que faço quanto estou perturbado. Escuto o ruído branco.”

Outra peculiaridade de Early é a sua obsessão pelo número Pi que começa com 3,14 e vai ao infinito. Ele conta a história de Pi como se ele fosse uma pessoa passando por uma aventura e que no meio dela se perdeu e não consegue voltar para casa. A história fictícia ou não de Pi se mistura a história do irmão de Early,que foi o herói de Morton Hill que de acordo com o exército morreu em combate durante um ataque na França, mas para Early ele só está perdido.

“Este é Pi. E os outros números são a história dele. A história de Pi começa com a família. Três é a mãe…Quatro é o pai…”

“Porque Pi não está morto,e se Pi não está morto,Fisher também não está.”

A aventura dos dois começa por conta de um professor que diz que o número Pi vai acabar,Early discorda e insiste que Pi só está perdido. Então na semana em que todos estariam de férias, ele era o único que ficaria na escola, pois não tinha mais ninguém. Jack seria levado pelo pai, mas um imprevisto aconteceu e Early e ele ficaram na escola. Jack se junta a Early nesta aventura por culpa e raiva.

“Minha mente vagava de um assunto a outro: Pi,Fisher,minha mãe e Early,o mais estranho dos garotos.Mas eu estava ali,a caminho do desconhecido,remando de costas, olhando para ele. Não tinha certeza se Early sabia para onde íamos,mas eu estava ali e iria com ele até o fim.”

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No decorrer da narrativa Early continua a narrar a história do jovem Pi na busca do seu eu. A ficção começa a se misturar com o real e você não sabe como o garoto consegue prever por meio de sua história fictícia o que está para acontecer na história real. Para encontrar Pi,os meninos adentram a floresta,passam pelo Rio Kennebec,enfrentam “piratas”,encontram novos amigos,novas histórias e aventuras,admiram as estrelas seguindo a Ursa Maior e desvendam novos mistérios. Os rumos da viagem os levam a compreender melhor os seus problemas e também a enfrentá-los. Uma aventura que vai unir dois garotos, pai e filho e finalmente terminar a aventura de Pi. Além de descobrirem o valor da lealdade. Sempre Fidelis.

“Amigos não deixam os outros para trás, Jackie…”.

“Semper Fi Early. Semper Fi.”

Em Algum Lugar nas Estrelas é um livro sensível, de fácil compreensão e que nos leva de volta a infância. Lembra-me muito o filme Conta Comigo que é de um conto de Stephen King O corpo. Que por coincidência as tramas deste autor sempre se passam no estado do Maine. Clare Vanderpool escreve brilhantemente. O modo como ela interligou as histórias foi maravilhoso. Clare sabe terminar um capítulo e puxar o próximo em uma leitura linear.

 É um livro leve, que pode ou não tocar no seu coração. Um amigo meu sempre diz que depende da vibe em que estamos. Particularmente o apreciei bastante. Posterguei ao máximo para terminá-lo. A trilha sonora é outra coisa maravilhosa. Se for ler este exemplar, tem que ouvir a trilha sonora que a editora Darkside preparou. Fora a trilha a edição é linda, mais não podemos esperar menos da Dark. Sempre com suas capas duras com toque aveludado. O trabalho gráfico é lindo. Lembrando e dando os parabéns à tradutora Débora Isidoro pelo seu ótimo trabalho na tradução tão bem desempenhado.

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Clare Vanderpool adora ler, pesquisar e viajar. Escrever Em Algum Lugar nas Estrelas deu a ela a oportunidade de fazer três coisas. Em uma viagem de pesquisa ao Maine, Clare explorou faróis, andou em praias, visitou um colégio interno e até fez o próprio trajeto na Trilha Apalache. Infelizmente, ela não encontrou nenhum urso. Isso teria sido uma ótima “pesquisa”!

Clare começou a ler aos cinco anos e a escrever aos seis, quando seu primeiro poema foi publicado no jornal da escola. Seu primeiro romance, Moon Over Manifest, foi premiado com a John Newbery Medal de mais distinta contibuição para a literatura infantil norte-americana. Clare mora em Wichita, Kansas, com o marido e os quatro filhos do casal. Saiba mais em clarevanderpool.com.

Título original| Naviganting Early

Título| Em Algum Lugar nas Estrelas

Ano| 2016

Gênero| Literatura Norte-Americana

Editora|DarkSide® Books

Tradutor| Débora Isidoro

Acabamento| Capa Dura

Páginas|288

ISBN| 978-85-66636-83-3

 

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