Da Vinci’s Demons – Primeira Temporada

Da Vinci’s Demons – Primeira Temporada

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Terminou recentemente a temporada de estreia de Da Vinci’s Demons, aposta do canal americano Starz após o fim de Spartacus. A série que é baseada na vida de Leonardo Da Vinci durante a sua juventude (25 anos), uma aposta um tanto ousada, retratar ou tentar adaptar a vida de um ícone da arte e de tantas outras coisas, Da Vinci era considerado um “polímata”, pelo fato de não dominar apenas uma área de conhecimento e sim várias, foi entusiasta de tudo que desafiava a compreensão banal das pessoas, ele sempre ia além dos limites com suas obras e experimentos, o que de certa forma o retratou como um louco muita das vezes. É um perigo até para mim tentar descrever ele, que não sou nenhum historiador e nem nada do tipo, mas o que importa aqui é a adaptação proposta pela série e esse vai ser o foco.

A série em suma se mostrou promissora por alguns fatores importantes, desde a escolha do ator que interpretaria Leonardo (Tom Riley), até o roteiro que de certa forma é certeiro, com alguns furos aqui e ali, mas o que não compromete a obra em um todo. Como eu disse, é um tanto ousado colocar nas telas, ainda mais em uma série de TV a adaptação da vida de uma mente tão perturbada e genial ao mesmo tempo. As chances de isso dar certo, são as mesmas de dar muito errado. A identidade da série foi criada e selada nessa primeira temporada, com boa parte dos acontecimentos se desenrolando na cidade de Florença na Itália, com outras idas e vindas em Roma, a série tem um ambiente característico, apesar de boa parte ser feito em efeitos especiais.

A trama gira em torno de alguns pontos importantes, sua busca pela mãe, a relação conturbada com o pai, sua busca pelo Book of Leaves, seu envolvimento com os Sons of Mithras, tudo isso somado a sua jovialidade e curiosidade fora do comum, é de certa forma um prato cheio de possíveis historias. Ao lado de bons coadjuvantes como o jovem Nico (Paul Westwood) e o fiel amigo Zoro (Gregg Chillin) Da Vinci vai lutar contra poderosos inimigos e a vontade deles de suprimir o conhecimento, ao mesmo tempo que procura respostas para si mesmo e para os seus conflitos pessoais. Após conseguir o apoio da família Medici para ser engenheiro de guerra, ele começa oferecer certo perigo para Roma e a igreja católica, que quer a todo custo suprimir o conhecimento, e claro que Da Vinci é contra e não liga se o poderio da igreja é predominante e ele é apenas um “artista”. Em seu encalço tem uma das surpresas da série em questão de atuação, Blake Ritson interpreta o Lorde Girolamo Riario sobrinho do Papa Sisto IV, que também está em sua busca pelo Book of Leaves, porém se vê frustrado ao ver Da Vinci avançando e chegando cada vez mais perto do tão cobiçado livro.

O embate e a eterna rivalidade entre as famílias Medici e Pazzi é muito bem retratado na série também, quem jogou Assassins Creed II ou conhece um pouco de historia italiana sabe da Conspiração dos Pazzi que no seriado foi apresentada de forma bastante original. Como toda boa historia não pode faltar aquela dose de romance, temos a belíssima Laura Haddock interpretando Lucrezia Donati, amante de Lourenço de Medici (Elliot Cowan) e também de Leonardo Da Vinci, sedutora e charmosa, defende seus interesses e acaba ganhando o coração de Da Vinci de certa forma, mesmo sabendo que ele, como ela mesmo diz: “Não é capaz de amar”. A forma que eles abordariam a orientação sexual de Leonardo era uma curiosidade minha, até porque registros históricos e varias teorias apontam Da Vinci como homossexual, mas não tem nada disso, ao menos na série o personagem diz que ninguém é capaz de defini-lo.

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Seu vegetarianismo, seu habito de comprar passarinhos engaiolados e liberta-los e tantas outras características notáveis do comportamento e personalidade de Da Vinci, servem como parâmetro para se explorar dentro do enredo. Os trabalhos artísticos de Leonardo como as pinturas de Monalisa e a Santa Ceia não foram apresentados, com a idade da série talvez ele ainda não tenha pintado as obras, eu gostaria de ver a concepção de obras tão famosas retratadas no seriado.

A série é promissora por se tratar de um personagem tão icônico da arte e da historia da humanidade, vale a pena relevar algumas atuações ruins e uns furinhos de roteiro e acompanhar, ela já foi renovada para a segunda temporada, no Brasil a FOX que transmite o seriado. Se você gosta de produções de época, ação e um bocado de jogo político, super recomendo.

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