Queridos leitores saudosistas, noventistas, os mais fortes! Os que sobreviveram a quase uma década de jogos sem continues infinitos, sem save points e/ou auto-saves, e principalmente, a mães enfurecidas puxando a fonte do SNES da parede em prol da nossa lição de casa! A muito aguardo esse momento, e o dedico a NÓS!

Do décimo ao topo do pódio, confiram minha lista! Já me adiantando… não, não tem jogo de Mega Drive… ele era um falso 16 bits, e uma vergonha para os consoles (se discutirem isso nos comentários, não participarei).

Então, se joga no DeLorean, estica as pernas na mesa, grab a snack, e vêm com o tio! (abraço @zangadogames)

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10º – Demon’s Crest

Quem nunca cruzou por esse cartucho na locadora?
Quem nunca cruzou por esse cartucho na locadora?

No longínquo ano de 1994, o pequeno gafanhoto “eu” passeava pela locadora, quando de relance, numa prateleira que eu não alcançava (e sinceramente, acho que continuo não alcançando), me deparo com esse título, que ganhou minha atenção pelas cores fortes e pelo CAPETA AGRESSIVO (na época era vai!) em sua capa. Ali, fui apresentado ao anti-herói Firebrand, e a um genial sidescroller com pitadas de RPG, que (um tempo depois fui saber) fazia parte da franquia de games Ghosts N’ Goblins.

O jogo era difícil... mas o mais difícil é conter as lágrimas de saudade...
O jogo era difícil… mas o mais difícil é conter as lágrimas de saudade…

Ultra-resumindo o plot, o mundo em que Demon’s Crest acontece é dividido em dois: onde os humanos vivem, e onde os capirotos do mal convivem (deve ser um inferno… [mãozinha do gaveta!]).

Obviamente, estamos na Capetolândia controlando Firebrand em sua peleja contra o Dragão/Demônio Phalanx, para recuperar as 5,5 Insígnias Mágicas Elementais (é, ele ficou com 0,5 Insignia do Fogo depois de alguns problemas técnicos) provenientes do mundo dos homens, que lhe foram roubadas depois de um belo cacete levado em Gargoyle’s Quest (então, esse foi o problema técnico). Aquele que obtivesse todas as Insígnias, teria poder infinito. Ou seja.. se tornaria o Clint Eastwood do Inferno.
Diversão garantida até hoje, com uma história não tão óbvia e bem amarrada, e um desfecho de cair o queixo!
O fato de ser difícil pra cacete separa os bons dos fracos no gameplay!

Bora pro próximo!

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 9º – Flashback: The Quest for Identity

A inesquecível coverart que me atirou à primeira distopia da vida!
A inesquecível coverart que me atirou à força em minha primeira distopia!

Lançado e distribuído em 1992 pela extinta U.S. Gold,  desenvolvido pela também falecida Delphine Software International, Flashback era mais um título dos chamados cinematic platformers, como Another World e Prince of Persia, usando e abusando da animação rotoscópica.

Visivel sucessor do já citado Prince of Persia, Flashback não emplacou tão facilmente, nem chamou a atenção das massas tupiniquins a priore. Sua temática altamente distópica e futurista ainda não era popular. Como eu disse, AINDA não era.
Dono de um plot digno de filme (como acontece com 90% dos roteiros de games hoje em dia…), fazendo claras referências a Blade Runner e Dune, a história começa com nosso protagonista sem nome acordando na selva de Titan, sem fazer a mínima idéia de quem é. Em busca de respostas, após poucos minutos de jogo, o mesmo encontra um holocube, revelando que seu nome é Conrad B. Hart, agente do FBI Intergalático (G.B.I), que havia descoberto uma Super-Tramóia de invasão à Terra por alienígenas metamorfos (shape-shifters), que já haviam se infiltrado nos principais governos de nosso indefeso planetóide. Após também descobrir que a mensagem no holocube foi gravada por ele mesmo ao descobrir o plano dos alienígenas, e entregue a seu amigo Ian, para que fosse entregue de volta a ele mesmo no futuro caso algo acontecesse (fala sério, não dava um filmasso?), nosso herói começa sua jornada em busca de suas memórias, do caminho para New Washington, e o impedimento de tal destino à raça humana.

Até o fim da lista, muitos de nós estaremos desidratados de tanta choradeira e saudade da Era de Ouro...
Até o fim da lista, muitos de nós estaremos desidratados de tanta choradeira e saudade da Era de Ouro…

Nesse futuro totalmente distópico, o jogador (prefiro pensar: “EU na pele de Conrad. Um agente. Uma esperança“), podia contar apenas com o emblemático monóculo que ilustra a capa do game, que desvendava a identidade dos alienígenas safados, suas habilidades de se pendurar, pular entre plataformas, e não se espatifar no chão (totalmente Prince of Persia, que eu chamo carinhosamente de pré-parkour do Ezio), um cinto antigravitacional IRADÍSSIMO, um campo de força temporário usado para não ser alvejado por um balaço laser (sim, eu citei Chapolin) que fazia um barulho MUITO engraçado quando ativado, e uma arma laser genérica, que ao longo do jogo não é tão usada quanto o teleporter, que permitia acesso à áreas isoladas do cenário. A história se desenrola de uma forma espetacular, tendo um final de explodir a cabeça de muita gente até hoje (a minha pintou a casa toda na época, tamanha foi a grata surpresa).

Figurando até hoje como maior Best-Seller francês da indústria dos Games, Flashback ilustra o Hall dos Grandes Jogos dos anos 90, ao lado de títulos do mesmo gênero, como o fantástico Out of this World.

Se você gosta de tramas sci-fi, cenários pós-apocalípticos e roteiros geniais, não perca tempo, se vista de Agente Especial Conrad, e vá salvar a Terra nerd!

PrÓÓÓximOOO!

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8º – Castlevania: Dracula X

Minhas recordações ao ver isso na locadora foi: "Pai, tá aqui meu boletim". Resposta: "Pode escolher um jogo filho, o que você quiser". Vou buscar mais lenços de papel...
Minhas recordações ao ver isso na locadora são: “Pai, tá aqui meu boletim”.
Resposta: “Pode escolher um jogo filho, o que você quiser”… Vou buscar mais lenços de papel…

A franquia Castlevania foi responsável pelo meu primeiro contato com a Konami. Apesar de já ter jogado outros títulos nos NES 8-Bits de amigos de infância (pois meu primeiro e único console foi o SNES, até a idade adulta) na pele de Gabriel e tantos outros Belmonts, nada até então tinha sido tão marcante e especial quanto vestir o pesado manto de RICHTER BELMONT, o maior Badass Madafaquer Caçador de Vampiros de Todas as Mídias do Universo até então. (Inclusive um sonho seria deixar o elenco inteiro do Crepúsculo 5 minutos sozinho com ele).

Lançado em 1996, o jogo é um remake/sequel de Rondo of Blood (PC), também conhecido no Japão como Vampire’s Kiss e Demon Castle Dracula Double X. Muitas versões para o título foram refeitas para PSP, tendo Maria como personagem jogável, e gráficos melhores. Porém, whatever tudo isso, não foi essa versão cheia de frescura que marcou minha infância.

No simples e direto plot, após a vitória de seu antepassado Simon sob o Lorde das Trevas, o mundo havia se esquecido das abominações trazidas pelo mesmo à Transilvânia medieval. Após centenas de anos, porém (eu digo AINDA BEM), um culto humano ao Conde o traz de volta a sua meia-vida, e seus súditos/criações/monstraiada começam a anarquizar geral nas redondezas do Castelo surgido da mais densa névoa, no mais alto pico da província.

Como se não bastasse, o Conde quer vingança contra a linha de sangue de Simon, no caso, seu bisneto Richter. Porém, o Conde é mal, cruel, e VAGABUNDO, e bate onde mais dói: planeja capturar Annete, namorada de Richter, e Maria, irmã do mesmo. Como consequência, Richter começa seu treinamento “flash”, pega seu chicote, crucifixo e água-benta, espumando de raiva, e sai em modo rampage pra espancar de geral qualquer coisa que fique em seu caminho até o chupador de sangue Mór.

Os gráficos não eram dos melhores para a potência dos 16 bits... mas quem não enfrentou o Drácula nessa plataforma miserável, não sabe o que é adrenalina!
Os gráficos não eram dos melhores para a potência dos 16 bits… mas quem não enfrentou o Drácula nessa plataforma miserável, não sabe o que é adrenalina!

 O gameplay é puro Castlevania: plataformas agora com 4 caminhos possíveis (não mais dois), monstros saindo pelo ladrão, Bosses lindamente exagerados, e batalhas épicas (principalmente a última).

Outro show à parte é a trilha sonora… chega a ser sacanagem! Mais uma marca registrada da franquia a partir dos títulos 16 bits.

Alguns anos depois, veio o definitivo e mais perfeito Castlevania, para PSX: Symphony of the Night, trazendo as crônicas de Alucard, ou Adrian Fahrenheit Heinz, se voltando contra seu papai Drácula, em nome de sua humana e bondosa mãe, Elisa. Alucard cruza caminhos com Richter, que abre o jogo, dando a entender que as histórias acontecem praticamente AO MESMO TEMPO… fica o mistério.

Dracula X é obrigatório à todos os fãs de Castlevania.

Dica pessoal: [highlight]fiquem longe de qualquer versão 3D da nova geração da franquia… defino em uma palavra: heresia.[/highlight]

E vamos ladeira acima ao próximo!

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7º – Illusion of Gaia

De mãos dadas com o Zelda, pisei em território RPGzístico pela primeira vez... e nunca mais voltei.
Junto a esse clássico, de mãos dadas com o Zelda, pisei em território RPGzístico pela primeira vez… e nada mais foi o mesmo desde então.

Foi muito difícil colocar esse game nessa posição, pela importância que o mesmo teve em minha vida… como comentado na foto, andou de mãos dadas com Legend of Zelda: aLttP… porém, tudo ficará claro em breve.

Lançado em 1994 pela própria Nintendo junto a Enix, desenvolvido pela Quintet, Illusion of Gaia (ou Illusion of Time em algumas localidades) mudou totalmente a concepção dos meus pais sobre o alcance e poder dos games no aprendizado linguístico e cultural de uma criança.

Ao ganhar o cartucho de um tio, que visitava o Paraguai com frequência, e jogar algumas horas, me virei a eles, já ciente do fato de não dispormos de recursos para aulas particulares de qualquer coisa, e pedi meu primeiro dicionário inglês/português – português/inglês de presente. Jamais passou pela cabeça deles o peso violento, e o resultado fantástico do meu estranho pedido, que foi atendido e incentivado, principalmente por meu pai: hoje tenho fluência total em inglês, e seguindo com a vida, agora o espanhol. Ao longo do meu caminho, apenas visitei escolas de línguas para buscar namoradas que as frequentavam.

Will andando pela Muralha da China.
Will andando pela Muralha da China.
Will em um puzzle básico no meio do jogo.
Will em um puzzle básico no meio do jogo.

Por mais que pareça prepotência, meu real objetivo com essa micro-história é ilustrar o quão especial é para esse editor aqui falar desse jogo, e o [highlight]quão construtiva é a tecnologia quando apontada na direção certa, em contra-ponto aos casos de jovens que usam como bode expiatório a exposição a jogos violentos para justificar falta de educação e atenção de seus tutores, psicopatia e barbárie sem sentido.[/highlight]

De volta ao game: o plot é absolutamente fantástico. Direto da mente brilhante de Mariko Ohara, na pele do protagonista Will / Freedan / Shadow (sim, são 3 em 1. Não vou dar spoiler), o jogador é atirado em um voo rasante sob a história da humanidade, envolvida em uma quest cativante, empolgante, com um desfecho INCRÍVEL, no melhor estilo gameplay adventure/RPG, visto em Zelda e Shadowrun.

Will na segura dimensão de Dark Space, diante de seus avatares Freedan, Shadow, e no centro a mãe-terra, Gaia.
Will na segura dimensão de Dark Space, diante de seus avatares Freedan, Shadow, e no centro, a Mãe-Terra, Gaia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Shadow enfrentando o Boss final... depois de suar sangue, o final!
Shadow enfrentando o Boss final… depois de suar sangue, o final

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Apesar das críticas pesadas e injustas em cima dessa obra de arte, IoG utilizou muito bem as possibilidades e potência dos 16 bits do SNES. Redundâncias a parte, um dos jogos/eventos mais importantes da minha vida, e um divisor de águas em todos os sentidos.

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Em algumas horas, ascenderemos ao próximo degrau, com um dos maiores best-sellers da história dos videogames!

Godspeed, e até lá!